Repercussão da produção da Vale, lucro da Neoenergia cai, provento da Unifique e outros destaques

21 de julho de 2026 Por Redação

Publicado às 21h56

Notícias corporativas 

Analistas repercutem o relatório de produção e vendas da Vale

Para o analista Luca Vello, da Genial Investimentos, o resultado operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26) da Vale veio “em linha”. Em pelotas, a produção foi considerada fraca e vendas fortes.

Segundo Luca, travados volume e preço, a estimativa de receita líquida para o 2T26 converge para US$ 10,3 bilhões e o Ebitda Proforma para US$ 3,83 bilhões. A Genial reiterou a classificação de “manter”, com viés construtivo (de compra) e preço-alvo de R$ 86 (12 meses).

Já a XP comenta em relatório que a Vale reportou mais uma performance operacional “sólida no 2T26”, com resultados ligeiramente acima de suas estimativas e implicando um potencial de 5% de upside para a projeção de Ebitda ajustado do 2T26 (US$3,9 bilhões).

A equipe da XP destaca os volumes de vendas de minério de ferro, pelotas e níquel acima do esperado, combinados com preços realizados mais elevados de cobre e níquel. O time de analistas reiterou a recomendação “neutra” para a Vale diante do valuation e das pressões de custos.

Os ADRs (recibos de ações negociados em Nova York) da Vale fecharam com leve alta de 0,16% na noite desta terça-feira no ‘after hours’ (negociação após o fechamento do pregão regular) em Nova York.

Vale escolhe nesta quarta, 22, o novo presidente do conselho de administração 

Nesta quarta-feira, 22, analistas e investidores aguardam com expectativa uma importante decisão na Vale.

A assembleia geral extraordinária da mineradora vai escolher o novo presidente do conselho de administração (chairman) da companhia.

Essa assembleia foi convocada a pedido da Previ, um dos acionistas de referência da Vale, titular de 7,01% do capital social. A Previ já declarou apoio à indicação de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira (Ollie) para o cargo de presidente do conselho de administração.

Vale produz 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro no 2T26, maior volume para um 2T desde 2018

A Vale (VALE3) divulgou nesta terça-feira, 21, que sua produção de minério de ferro foi de 84,3 milhões de toneladas (Mt) no segundo trimestre de 2026 (2T26), crescimento de 0,8% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e alta de 20,9% na comparação com o trimestre anterior (1T26).

“No minério de ferro, a melhora do desempenho em diversas operações contribuiu para o melhor resultado de produção para um segundo trimestre desde 2018”, afirmou a Vale no relatório de produção e vendas.

No sistema Norte a produção diminuiu 1,7 milhões de toneladas na base anual, totalizando 39,6 milhões de toneladas no trimestre. A queda foi principalmente resultado da menor, mas esperada, disponibilidade de run-of-mine em Serra Norte. Segundo a Vale, esse efeito foi parcialmente compensado pela forte performance do S11D, que alcançou um novo recorde de produção para um segundo trimestre de 23,4 milhões de toneladas (+2,5 Mt ano/ano).

Os projetos Serra Sul +20 e Britador de Compactos continuam avançando e têm início de operação previsto para o 2S26, ampliando a flexibilidade operacional e contribuindo para o desempenho da produção a partir de 2027, afirmou a mineradora.

No sistema Sudeste a produção aumentou 3,3 milhões de toneladas ano/ano, totalizando 24,3 milhões de toneladas no trimestre. O crescimento ocorreu principalmente por maiores volumes de Capanema, à medida que o ramp-up avançou, aumento da produtividade em Alegria, em função da ampliação da capacidade de britagem do site, e retomada das operações em Água Limpa, que reiniciou sua produção em junho de 2025.

No Sistema Sul a produção diminuiu 1 milhão de toneladas ano/ano, totalizando 12,1 milhões de toneladas no trimestre, principalmente em função da paralisação total das operações de Fábrica e Viga desde janeiro de 2026. Esse efeito foi parcialmente compensado pelo maior desempenho do Complexo Vargem Grande, impulsionado pelo avanço do ramp-up da planta VGR1.

As vendas de minério de ferro totalizaram 79,7 milhões de toneladas, 2,4 milhões de toneladas maiores ano/ano, refletindo principalmente a venda de estoques formados nos períodos anteriores e o aumento da produção.

Para colocar na agenda: IRB divulgará resultados do 2T26 em 13 de agosto

O IRB (IRBR3) confirmou nesta terça-feira, 21, que divulgará os resultados do segundo trimestre (2T26) no dia 13 de agosto, quinta-feira, após o fechamento do mercado. A teleconferência será em 14 de agosto, sexta-feira, às 11h.

O IRB estará em período de silêncio de 29 de julho de 2026 até o dia 13 de agosto de 2026, inclusive. Durante este período, a companhia estará impedida de comentar informações referentes aos resultados, buscando a equidade na divulgação de informações, e suas pessoas vinculadas proibidas de negociar valores mobiliários da companhia.

Unifique (FIQE3) anuncia pagamento de juros sobre o capital

A Unifique Telecomunicações (FIQE3) informou após o fechamento do mercado nesta terça-feira, 21, que seu conselho de administração aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP), apurado com base no patrimônio líquido da companhia relativo aos exercícios de 2021 e 2022, no valor bruto total de R$ 30 milhões, correspondentes a R$ 0,077032959 por ação. Terão direito aos JCP acionistas detentores de ações da Unifique em 24 de julho (próxima sexta-feira). Dessa forma, as ações de emissão da companhia serão negociadas ex-juros na B3 a partir de 27 de julho de 2026, inclusive. O pagamento do JCP será efetuado em uma única parcela a ser paga em 5 de agosto de 2026.

O montante total bruto do JCP está sujeito à tributação pelo Imposto de Renda Retido na Fonte à alíquota de 17,5%.

Neoenergia (NEOE3): lucro no 2T26 soma R$ 900 milhões, queda na base anual

A Neoenergia (NEOE3) divulgou nesta terça-feira, 21, que registrou lucro líquido atribuível aos controladores de R$ 900 milhões no segundo trimestre de 2026. Essa quantia corresponde à queda de 45% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Segundo a companhia, o resultado foi impactado por “efeito não recorrente de indébitos tributários” no segundo trimestre de 2025 (2T25).

O Ebitda somou R$ 3,55 bilhões, crescimento de 11% na base anual de comparação.

A receita líquida da companhia atingiu R$ 12,5 bilhões no 2T26, queda de 2,3% em relação ao 2T25.

Economia

Entre o tarifaço americano e a geopolítica da IA, risco fiscal infla juros no Brasil

Em um ambiente internacional marcado pela reconfiguração das cadeias globais de suprimento e por crescentes tensões comerciais, a percepção de risco sobre a economia brasileira voltou a se deteriorar. A combinação entre a expansão da presença chinesa em setores estratégicos e medidas protecionistas promovidas pelos Estados Unidos contrasta com as fragilidades fiscais internas, elevando o prêmio cobrado pelos investidores na renda fixa doméstica.

O diagnóstico foi detalhado pelo economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero. Segundo o economista, o mercado acompanha uma disputa assimétrica entre as duas maiores potências do planeta. De um lado, a China impõe domínio global sobre a cadeia de veículos elétricos, baterias e inteligência artificial (IA) ao oferecer tecnologias avançadas por um custo inferior ao das alternativas ocidentais. Do outro, os Estados Unidos reagem com barreiras tarifárias, destacando-se a tarifa adicional de 25% aplicada a produtos brasileiros.

Para Mendlowicz, o protecionismo norte-americano adiciona incerteza às exportações e pressiona os preços globais de insumos. “O mundo está tenso e o grande confronto é focado entre Estados Unidos e China. O Brasil está em um ‘barquinho’ frágil no meio desse oceano complicado”, pontuou.

O sócio da Ticker Wealth explica que medidas protecionistas e barreiras alfandegárias adotadas por grandes potências adicionam volatilidade ao comércio internacional. “No caso do Brasil, acentua desafios competitivos para o setor produtivo nacional, ao mesmo tempo em que serve de retórica política em momentos pré-eleitorais. Alegações sobre práticas comerciais desleais, divergências em acordos de biocombustíveis e exigências ambientais continuam a pautar as negociações, impactando diretamente o fluxo de investimentos e as projeções econômicas para os próximos anos”, alerta Mendlowicz.

Fragilidade fiscal amplia juros reais

A falta de previsibilidade nas contas públicas continua sendo o principal obstáculo para a queda das taxas de juros no país. Com o endividamento em trajetória de alta e dúvidas sobre o cumprimento das metas orçamentárias, o mercado financeiro passa a exigir um prêmio de risco cada vez maior para financiar o governo.

“A taxa Selic na casa dos 14% e os títulos do Tesouro IPCA+ oferecendo taxas acima de 8% ao ano não são um acaso, mas sim o reflexo direto da cobrança do mercado diante da falta de um ajuste firme e transparente nas contas públicas”, avalia Mendlowicz.

Charles destaca que o impacto desse cenário vai além da inflação imediata. “A falta de uma âncora fiscal crível e transparente obriga a autoridade monetária a manter a taxa básica em níveis restritivos por mais tempo. Sem um corte efetivo de gastos e um controle rigoroso da dívida pública, o país fica refém de juros reais elevados, o que encarece o crédito e trava o investimento produtivo”, afirma Charles.

Segundo o Economista Sincero, a tentativa de estimular a economia sem a devida responsabilidade fiscal gera um efeito oposto ao desejado. “Não se trata apenas de cumprir metas no papel, mas de transmitir confiança aos agentes econômicos. Enquanto o risco fiscal persistir como a principal variável de incerteza, a taxa de juros real continuará pressionada, penalizando o crescimento sustentável de longo prazo”, conclui.

Pagam provento nesta quarta:

TIM (TIMS3) 

A TIM paga nesta quarta, 22, R$ 400 milhões a título de juros sobre o capital próprio (JCP) no valor bruto por ação de R$ 0,16. A data de corte foi em 22 de junho.

Banco Pine (PINE4)

O Banco Pine paga nesta quarta-feira, 22, JCP no valor de R$ 0,27 por cada ação ordinária e cada ação preferencial. A data de corte foi em 14 de julho de 2026. Desde 15 de julho as ações de emissão da companhia são negociadas “ex” direitos a juros sobre capital próprio.

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