Moody’s: Bancos públicos seguem caminhos distintos à medida que o governo promove o crédito no Brasil

26 de junho de 2026 Por Redação

Publicado às 8h36

Em 2026, o governo do Brasil intensificou o lançamento de medidas de apoio social, bem como programas para estimular a atividade econômica via expansão do crédito. No entanto, uma aceleração no crescimento dos empréstimos pode levar a um aumento dos riscos para todos os bancos brasileiros em meio a um cenário de enfraquecimento das condições de crédito. É que afirma um relatório da Moody’s.

Os grandes bancos privados estão reagindo com cautela em meio às incertezas, junto com o Banco do Brasil, que se concentra na redução da inadimplência, enquanto a Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social estão mantendo uma visão mais otimista sobre o crescimento alinhada com um papel anticíclico.

  • Os bancos estatais deverão desempenhar um papel significativo nos programas governamentais. O BB, a Caixa e o BNDES têm mandatos de política pública e papéis anticíclicos que geralmente resultam em uma originação de empréstimos maior, ou em setores específicos, em comparação com os bancos privados. Eles também contam com mecanismos de compensação de riscos decorrentes da elevada participação em produtos de baixo risco ou do uso de garantias governamentais, ou de ambos. No entanto, o apetite de crédito dos bancos também é afetado pelas tendências intrínsecas da qualidade dos ativos. O BB reduziu o crescimento dos empréstimos rurais e foi mais seletivo na concessão de crédito, observa o relatório.

 

  • A qualidade dos ativos gera preocupações nos bancos públicos, apesar dos mitigadores de risco, incluindo a capitalização adequada. O elevado endividamento das famílias, aliado às taxas de juros altas, tem impulsionado um aumento gradual da inadimplência desde meados de 2025 nos empréstimos no sistema bancário brasileiro. BB e Caixa concentram os empréstimos em clientes dos segmentos de varejo e pequenas e médias empresas (PMEs), que são mais sensíveis ao aumento das taxas de juros. Segundo avalia a Moody’s, o crescimento dos empréstimos do BNDES, acima da média do sistema, em meio ao enfraquecimento do cenário econômico, sinaliza um aumento potencial de risco. Os três bancos se beneficiam de capital forte e colchões de provisionamento; no entanto, essas defesas podem ser testadas se as condições de crédito permanecerem fracas por um longo período.

 

  • Outras necessidades de provisionamento para perdas com empréstimos podem reduzir os ganhos até 2027. Os resultados trimestrais do BB estão em seus níveis mais baixos desde 2020, refletindo o aumento das provisões para perdas com empréstimos a produtores rurais em 2025, além da exposição a crédito de varejo sem garantia no primeiro trimestre de 2026. A Caixa também aumentou as provisões vinculadas a empréstimos agrícolas e PMEs, com ganhos do primeiro trimestre um pouco acima do lucro líquido médio registrado em 2023-2025. “Esperamos que os ganhos no sistema bancário permaneçam pressionados em 2026, refletindo a redução da geração de receitas com tarifas e comissões, bem como dos volumes de instrumentos de captação de baixo custo em meio à continuidade de taxas de juros em patamares elevados e intensificação da concorrência por recursos entre os grandes bancos de varejo”, comenta a equipe de analistas da Moody’s.