MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3) : a avaliação do resultado do 4T25

Publicado às 14h
Minerva (BEEF3)
Em relatório o BTG Pactual comenta que a Minerva encerrou 2025 com receitas e Ebitda recordes de R$ 55 bilhões e R$ 4,8 bilhões, respectivamente, apoiados pela aquisição dos ativos da Marfrig, que já parecem totalmente integrados. Ainda assim, o último trimestre foi mais fraco, avalia. O Ebitda somou R$ 1,17 bilhão, 9% abaixo da estimativa, com margem de 8,2%, também abaixo no ano/ano, trimestre/trimestre e frente à projeção. O capital de giro voltou a consumir caixa no trimestre, com aumento de forfait (risco sacado), queda nos adiantamentos de clientes e alguma formação de estoques, resultando em consumo de R$ 600 milhões.
A equipe de analistas do banco ressalta que a alavancagem encerrou o período em 2,8x dívida líquida/Ebitda, ou 4,7x na base expandida, após um ano marcado por forte geração de caixa, mas também por maior dependência de financiamento de capital de giro.
Para a XP, a Minerva entregou resultados abaixo das suas estimativas, o que provavelmente levará a revisões negativas de lucro, especialmente devido a margens mais fracas do que o esperado e queima de caixa acima do previsto no trimestre.
O time de analistas observa que os volumes de carne bovina caíram 8% na comparação trimestral e ficaram 4% abaixo da sua estimativa, principalmente devido a resultados mais fracos no Brasil, que interpretam como ligados a um ambiente de consumo doméstico mais deteriorado.
MBRF (MBRF3)
Em relatório, o BTG comenta que a MBRF encerrou 2025 com resultados operacionais muito fortes, com margens robustas em BRF e na operação de bovinos na América do Sul compensando o ano fraco em bovinos nos Estados Unidos, além de crescimento consistente de volumes ao longo do ano.
No 4T25 o Ebitda reportado foi de R$ 3,4 bilhões, em linha com o esperado, mas 9% abaixo ano/ano por uma base de comparação mais forte, enquanto o lucro líquido ficou em apenas R$ 91 milhões, pressionado por despesas financeiras elevadas de R$ 2,1 bilhões.
A avaliação é que, apesar do bom desempenho operacional, a geração de caixa permaneceu fraca, com queima de caixa de R$ 328 milhões no trimestre e dívida líquida IFRS 16 de R$ 50,4 bilhões ao fim do ano, equivalente a 3,8x o Ebitda dos últimos 12 meses.
Na Marfrig, a operação na América do Sul permaneceu resiliente, com volumes subindo 24% ano/ano e margem Ebitda de 10,5%, enquanto a América do Norte registrou margem ajustada de apenas 0,8%, refletindo um ambiente ainda bastante desafiador. A visão do banco se mantém “neutra” para o ativo, apoiada na combinação entre elevado endividamento e expectativa de margens operacionais mais baixas em 2026 do que em 2025.
Para a XP, a MBRF reportou um 4T25 pouco inspirador, com uma surpresa positiva em receitas, Ebitda ajustado em linha e leve decepção em margens.
No entanto, a equipe destaca que os resultados no acumulado de 2025 da MBRF foram sólidos considerando o primeiro caso de gripe aviária no Brasil no 2T25. A BRF reportou uma margem Ebitda ajustada de 16,1% no ano, confirmando a tese da XP de uma margem saudável no setor de frango.
Ainda de acordo com a XP, o trimestre ainda foi negativamente impactado pelas restrições às exportações de frango brasileiro, apenas parcialmente compensadas por margens sazonalmente mais altas em produtos comemorativos.
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