Fundamentos: confira os artigos com análises que foram destaque na semana

29 de novembro de 2025 Por Redação

 

Publicado às 13h10

Petrobras: analistas avaliam Plano de Negócios

As ações da Petrobras fecharam em queda na sexta-feira, 28, com o mercado repercutindo o Plano de Negócios da estatal. As ações PETR4 caíram 1,88% e fecharam cotadas a R$ 31,79.

Para a XP, o plano veio amplamente em linha com suas estimativas, apresentando uma curva de produção mais alta e investimentos mais baixos em relação ao plano de negócios anterior (2025-2029). A avaliação é que o plano se concentra em aumentar a resiliência aos preços mais baixos do petróleo, reduzindo o ponto de equilíbrio da Petrobras por meio de duas alavancas principais: economia de despesas operacionais e disciplina de investimentos. Não houve anúncio de dividendos extraordinários, como esperado, destaca o time da XP, e nenhuma mudança na política de dividendos ordinários.

Para 2026, a previsão de dividendos ordinários está em linha com suas projeções, afirma a equipe de analistas, devido a uma combinação de capex ligeiramente mais alto, compensado por um fluxo de caixa operacional mais alto, apesar da produção estar em linha.

A casa de research ressalta em relatório que, mesmo que esteja alinhado com suas estimativas, considera o novo plano positivo, já que o foco na “austeridade mitiga o risco de possíveis cenários negativos”.

A Genial Investimentos avalia que, de forma geral, o novo Plano apresenta um caráter “neutro”, com pontos positivos relevantes, mas também riscos que merecem atenção. A avaliação de seus analistas é que o guidance de produção reforça a resiliência operacional da empresa, com volumes superiores ao plano anterior e foco na exploração da margem equatorial para mitigar a futura queda da produção do pré-sal. Mas, por outro lado, a estratégia de investimentos, embora mantenha valores próximos ao plano anterior, continua a sinalizar incertezas quanto à alocação de capital, especialmente pela maior participação de projetos em avaliação e pelo risco de não materialização em cenários de preços mais baixos, escreve em relatório a equipe da Genial.

Já o BTG Pactual ressalta que a companhia reduziu levemente o capex de 5 anos para US$ 109 bilhões, mas 2026–27 ficaram acima das expectativas, com destaque para pico em 2027. Para o banco, o plano adota premissas macro consideradas otimistas, como Brent de US$ 63 em 2026 e câmbio de R$ 5,80. A combinação de capex elevado, Brent menor e premissas otimistas leva a maior alavancagem em 2026, com FCFE (Fluxo de Caixa Livre para o Patrimônio Líquido) superando dividendos apenas em 2027 sob essas hipóteses. Considerando premissas de mercado atuais, a Petrobras seguiria aumentando alavancagem até 2027, avalia o time de analistas.

Copel: a avaliação do investor day da companhia

A Copel (CPLE3) realizou no último dia 19 de novembro o investor day, evento anual que reúne a gestão da empresa e analistas.

Em um relatório, o time de analistas do BTG Pactual destacou que a Copel apresentou o plano estratégico até 2035, reforçando que, após a privatização e a entrega de diversos marcos, tornou-se uma tese de investimento direta, com baixo risco de execução, estrutura de capital robusta, política de dividendos definida e disciplina na alocação de capital.

Ainda de acordo com a equipe, a companhia divulgou plano de capex (investimento) de R$ 17,8 bilhões para 2026–2030, com R$ 13,5 bilhões em distribuição, R$ 2,1 bilhões em transmissão e R$ 1,8 bilhão em geração.

Até 2026, deve entregar redução de 20% no PSMO (Pessoal, Material, Serviços de Terceiros e Outras Despesas), migrar para o Novo Mercado e anunciar dividendos, ainda avaliando impactos tributários, além de estar otimista com a revisão tarifária, estimando RAB (Base de Ativos Regulatórios) entre R$ 18,3 bilhões a 18,5 bilhões e opex regulatório entre R$ 2 a R$ 2,1 bilhões, ressalta a equipe do banco no relatório.

A avaliação do BTG é que o interesse estrangeiro na Copel aumentou significativamente após os avanços de governança, com investidores internacionais representando 52,5% da base em outubro, ante 39,2% em 2023.

O banco tem recomendação de “compra” para a Copel.

Sabesp (SBSP3): Arsesp valida Base de Ativos de Regulatórios. E agora?

Em um fato relevante divulgado na segunda-feira, 24, a Sabesp (SBSP3) informou a validação, pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), da Base de Ativos de Regulatórios (BAR) de 2023 e 2024.

A equipe da Genial Investimentos explica que a BAR é relevante para a Sabesp porque define o valor dos ativos considerados pela agência reguladora para calcular a remuneração da empresa no regime tarifário. Em outras palavras, a BAR é a base sobre a qual se aplica a taxa de retorno regulatória, determinando quanto a Sabesp pode recuperar via tarifas.

Já o time de analistas do BTG escreve em relatório que o processo de reajuste final será anunciado nas próximas semanas e constitui o primeiro após o novo marco regulatório pós-privatização, tornando-o um evento determinante para a definição da estrutura tarifária futura.

Localiza (RENT3): analistas voltam a adotar uma visão mais construtiva para a companhia

Em um relatório divulgado esta semana, o time de analistas do BTG Pactual escreve que voltou a adotar uma visão mais construtiva para a Localiza (RENT3), acreditando que desta vez a tese é mais clara e tem maior potencial de alta, principalmente com uma combinação de expansão de múltiplo por menor custo de capital e crescimento do lucro líquido sem revisões negativas.

O banco projeta lucro líquido de R$ 4,2 bilhões em 2026, implicando um crescimento de 25% ano/ano e continuidade em 2027, enquanto o impairment acima do necessário criou um colchão que reduz o risco de cortes nas estimativas.

A avaliação é que os resultados do terceiro trimestre foram neutros, com lucro ajustado influenciado por créditos fiscais e efeitos do impairment em Seminovos, levando o lucro líquido a apenas 2% acima das estimativas. Por isso, explica a equipe do BTG, o foco não é o trimestre, mas sim o ambiente macro mais favorável com juros menores em 2026, que tem sustentado a ação.

O time reforçou que Localiza é uma forma alavancada de capturar a queda de juros, com efeitos positivos no valuation, custo de financiamento e ambiente do setor automotivo, embora existam fatores limitantes. “No micro, ainda não é possível declarar o fim dos riscos de depreciação, mas a tendência dos preços mostra estabilização, reduzindo a chance de revisões negativas”, escreve a equipe do BTG, destacando que, com expectativas de depreciação controladas, o principal vetor de resultados passa a ser a queda das despesas financeiras.

O banco tem recomendação de “compra” com preço-alvo R$ 55 para a ação RENT3.

Allos (ALOS3): a avaliação do investor day da companhia

O time da XP destaca que no investor day da Allos (ALOS3) a administração da companhia reforçou uma perspectiva positiva em relação à alocação de capital e aos principais fatores de eficiência.

A equipe de analistas ressalta que os principais destaques foram ganhos de eficiência impulsionados por ajustes assertivos no mix e um processo de integração bem-sucedido, apoiando a diluição das despesas gerais e administrativas; um grande pipeline de projetos de multi-uso oferece um forte caminho para o crescimento no futuro; os segmentos digital e de mídia estão ganhando força, alavancando sinergias com o segmento principal de shopping centers; e os investimentos em capital devem se concentrar em projetos menores, e a dívida líquida/Ebitda deve aumentar para um nível mais eficiente de 2x, apoiando os fortes pagamentos de dividendos anunciados para 2026.

A XP reiterou sua visão construtiva sobre as ações e a classificação de compra com um preço-alvo de R$ 32.

1° voo do protótipo em escala real da Eve e seu impacto para a Embraer (EMBJ3)

Em um relatório, o time de analistas do BTG ressalta que a indústria aeronáutica opera com riscos elevados ao longo das fases de projeto, desenvolvimento, prototipagem e certificação, e o segmento de eVTOLs (aeronave de decolagem e aterrissagem vertical elétrica) tende a ser ainda mais arriscado por representar uma categoria totalmente nova.

Nesse contexto, a equipe do banco destaca que o primeiro voo do protótipo em escala real da Eve (NYSE: EVEX; B3: EVEB31), previsto para o fim de 2025 ou início de 2026, é visto como um marco relevante para redução da percepção de risco e para uma potencial valorização do ativo, podendo incentivar parte do mercado a considerar o valuation da Eve no consolidado da Embraer (EMBJ3).

A Eve é a empresa de veículos elétricos aéreos para uso em meios urbanos pertencente à Embraer.

A avaliação é que o primeiro voo ajuda a validar pressupostos aerodinâmicos e de integração de sistemas, reduzindo incertezas e deslocando o foco para certificação e preparação industrial, como ocorre historicamente em programas de novas aeronaves.

A Eve intensificou testes após rodada de captação em agosto, já tendo validado sistemas de solo, comunicação e integração, além de avançar nos testes dos motores pusher e lifter, fornecidos pela Beta Technologies e pela Nidec, explica a equipe do BTG em relatório, destacando que concorrentes como Joby e Archer observaram redução da percepção risco e ganhos de valuation após completarem voos em escala real, reforçando a importância de atingir esse marco.

“A credibilidade do programa também se apoia no histórico da Embraer em desenvolvimento e certificação, com plataformas como E-Jets, KC-390 e Praetor reconhecidas por agências reguladoras globais e entregues com eficiência, aumentando a probabilidade de um desfecho bem-sucedido para o primeiro voo da Eve”, escrevem seu analistas. O BTG tem classificação de “compra” para a Embraer com preço-alvo de R$ 94.

A avaliação da Prio, PetroReconcâvo e Brava

Em um extenso relatório, a Genial Investimentos avalia que a recente tendência baixista do preço do petróleo atinge todas as empresas produtoras. Com o mercado menos favorável em termos de preço do barril do brent, seus analistas acreditam que os investidores devem observar a execução do plano de negócios de cada uma das petroleiras com foco principalmente em projetos/volume; eficiência/redução de custos e investimentos/aquisições.

Prio (PRIO3)

Com relação a Prio, o time da Genial destaca que os vetores que importam para a tese são o ramp-up orgânico, entrada de Wahoo em 2026, captura de sinergias em Peregrino e disciplina na alocação de capital. A equipe escreve que eles seguem intactos, destacando que mantém uma visão construtiva para a expansão de volumes, redução estrutural de custos e aceleração da geração de caixa a partir de 2026.

Brava (BRAV3)

Sobre a Brava, a avaliação é que, apesar da boa entrega operacional no trimestre (recorde de produção, menor lifting cost, capex modesto), o trimestre não “empolgou” tendo em vista a geração de caixa ainda modesta mesmo com a performance apresentada. Em relação à produção, a equipe da Genial salienta que os grandes gatilhos seguem sendo o resultado das perfurações dos campos off-shore em meio a uma tendência de estabilidade/declínio nos campos on-shore e a um patamar mais modesto de investimentos ao longo de 2026, com foco na geração de caixa/desalavancagem. “Por enquanto, não vemos gatilhos claros para a tese da empresa”, afirmam seus analistas.

PetroReconcavo (RECV3)

No relatório, o time destaca que ficou com “sentimento negativo” em relação à tese da PetroReconcavo, observando que, essencialmente, a mensagem na teleconferência de resultados do terceiro trimestre da empresa, foi de um cenário desafiador no que diz respeito aos esforços para revitalização dos ativos da empresa. Em relação a produção, a avaliação é que a petroleira não apenas apresentou resultados decepcionantes das suas últimas perfurações, como forneceu, segundo as informações divulgadas na teleconferência, perspectivas pouco interessantes em relação a uma eventual recuperação no curto prazo. Sobre dividendos, a gestão da companhia enfatizou a preferência por uma política flexível, sem “fórmula rígida”, ajustando o payout de acordo com o estágio do ciclo de investimento e com o nível de conforto em relação à alavancagem. A PetroReconcavo também mencionou que acompanha atentamente a discussão sobre eventual tributação adicional de dividendos no Brasil e que pode avaliar a antecipação de pagamentos extraordinários caso haja janela regulatória favorável.

Importante:

O Finance News não faz recomendação de compra ou venda de ativos. O texto acima tem por objetivo informar. O preço-alvo é uma projeção baseada em uma metodologia e varia dependendo da instituição financeira. Procure profissionais especializados e certificados para tomar qualquer decisão sobre investimentos. Para mais detalhes acesse o site da Comissão de Valores Mobiliários.

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