Ibovespa futuro, dólar e notícias corporativas

30 de junho de 2026 Por Redação

Publicado às 9h24 – atualizado às 9h44

Ibovespa futuro

Às 9h24 desta terça-feira, o Ibovespa futuro (INDQ26 contrato com vencimento para 19 de agosto de 2026) tinha queda de 0,36% aos 175.105 pontos. Embora considerado um indicador de como poderá se comportar o mercado, esse índice nem sempre antecipa as informações que vão condicionar o pregão a partir das 10h.

Dólar

Às 9h41 o dólar comercial subia 0,32% cotado a R$ 5,192 na venda.

Minério, petróleo, ouro e bitcoin (9h16)

Petróleo Brent: +0,19% (US$ 73,2). O Brent é referência para a Petrobras.

Bitcoin futuro: -2,32% (US$ 59.002)

Ouro (contrato para fev/26 – onça-troy): -0,04% (US$ 4.037)

Nas negociações diurnas, o contrato futuro do minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, na China, fechou em alta de 0,61% aos 747 iuanes (US$ 109,95). A cotação pode impactar os papéis da brasileira Vale (VALE3) e CSN Mineração (CMIN3). Lembramos que o preço do contrato ainda tem oscilação nas próximas horas.

Futuros de ações em Nova York

Às 9h15 em Wall Street, o Dow Jones futuro operava em alta de 0,01% e o S&P 500 futuro tinha valorização de 0,08%. Nasdaq futuro subia 0,20%.

Notícias corporativas

Energisa celebra acordo para entrada do Itaú na Denerge

A Energisa (ENGI11) informou a assinatura de um acordo para a entrada do Itaú (ITUB4) como investidor na Denerge Desenvolvimento Energético.

Os detalhes foram divulgados em um fato relevante enviado ao mercado.

A Denerge é uma holding cujo único ativo relevante é a titularidade, de forma direta e indireta, de participações acionárias em companhias que desenvolvem atividades de atuação no setor de energia elétrica.

A operação envolve um aporte de aproximadamente R$ R$ 1,399 bilhão, realizado por meio da subscrição de ações preferenciais da companhia.

O Itaú passa a deter cerca de 9,98% do capital social da Denerge.

“A transação contribuirá para reforçar a capacidade financeira e robustecer a estrutura de capital da Energisa”, destacou a companhia no fato relevante.

Receita Federal multa em R$ 1,28 bi Armazém Mateus, controlada do Grupo Mateus (GMAT3)

A Receita Federal do Brasil emitiu auto de infração contra a sociedade controlada pelo Grupo Mateus (GMAT3), a Armazém Mateus.

Segundo a companhia, a Receita Federal questiona, em relação aos exercícios sociais de 2022 a 2023, majoritariamente as exclusões de créditos presumidos de ICMS da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

O montante total da multa é de R$ 1.281.949.121,24, dos quais R$ 492.890.219,56 correspondem ao valor principal e R$ 789.058.901,68 correspondem ao valor de multas e juros.

“Com base na avaliação preliminar realizada pela companhia e seus assessores, que consideram haver fundamentos jurídicos relevantes para sustentar que Armazém apura as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de acordo com a legislação aplicável, a contingência foi classificada como perda possível”, afirmou o Grupo Mateus em um fato relevante enviado ao mercado na noite desta segunda-feira, 29.

O auto de infração inicia seu trâmite na esfera administrativa, podendo, se for o caso, ser objeto de discussão também na esfera judicial.

A companhia informou que manterá o mercado e seus acionistas informados acerca de eventuais desdobramentos relevantes relacionados a esse assunto.

Moody’s Local Brasil afirma ratings AA.br da Irani; perspectiva estável

A Moody’s Local BR afirmou o rating de emissor ‘AA.br’ da Irani (RANI3). Ao mesmo tempo, a agência afirmou o rating AA.br da 6ª emissão de debêntures, sem garantia real. A perspectiva é “estável”.

Segundo a Moody’s, a afirmação do rating da Irani reflete sua consolidada posição competitiva nos segmentos de papel para embalagens e embalagens de papelão ondulado, ocupando a posição de quarta maior produtora de papel para embalagens do Brasil.

A agência ressalta que a companhia conta com uma forte diversificação, com portfólio variado de produtos, ampla base de clientes e atuação no mercado interno e externo.

Também destaca que as margens permanecem superiores à média da indústria, refletindo a verticalização das operações.

“Ao mesmo tempo, a Irani mantém métricas de crédito sólidas e posição de liquidez forte, com expectativa de preservação desse perfil por meio de gestão ativa de seus passivos financeiros”, escreve o time de analistas da Moody’s.

Raízen (RAIZ4) reporta prejuízo de R$ 7,33 bi no quarto trimestre da safra 2025/26

A Raízen (RAIZ4) teve prejuízo líquido de R$ 7,334 bilhões no quarto trimestre da safra 2025/26. No mesmo período da safra anterior, a companhia reportou prejuízo de R$ 2,513 bilhões.

Segundo a Raízen, o prejuízo refletiu o aumento das despesas financeiras decorrentes do maior saldo de dívida e da taxa média do CDI; o impacto pontual (sem efeito caixa) relacionado à constituição de provisões para não realização de determinados ativos; e as despesas não recorrentes associadas ao início do processo de recuperação extrajudicial, incluindo despesas com assessores financeiros e jurídicos.

O Ebitda ajustado da Raízen no quarto trimestre foi de R$ 2,88 bilhões. Essa quantia corresponde à alta de 46% na comparação com o mesmo período da safra anterior.

A receita líquida atingiu R$ 51,32 bilhões, queda de 11,1% na base anual de comparação.

No release de resultados, a companhia afirma que encerrou a safra 2025’26 em um dos ambientes mais desafiadores dos últimos anos para a Raízen, marcado por condições climáticas adversas, volatilidade de commodities, juros elevados e os impactos do mercado ilegal de combustíveis.

“Nesse contexto, reforçamos a disciplina na execução do Plano de Transformação e mantivemos foco absoluto naquilo que está sob nosso controle. Entregamos avanços concretos e mensuráveis que começam a se traduzir em melhorias estruturais para a companhia. Reduzimos custos e despesas em aproximadamente R$ 1 bilhão, avançamos com rigor na alocação de capital, reduzindo o Capex em R$ 3,3 bilhões em relação ao ano anterior, e demos passos relevantes na readequação do portfólio, com impacto positivo estimado de R$ 12 bilhões na posição financeira — sendo cerca de 40% já capturados e 60% a serem reconhecidos com o fechamento da venda dos ativos na Argentina”, destaca a mensagem da administração.

CSU Digital (CSUD3) anuncia pagamento de juros sobre o capital

O conselho de administração da CSU Digital (CSUD3) aprovou o pagamento de proventos aos acionistas no montante bruto de R$ 7,1 milhões em juros sobre capital próprio (JCP) relativos ao 2º trimestre de 2026 (2T26). O valor bruto por ação é de R$ 0,171706087. Tem direito quem tiver ações da companhia em 2 de julho, próxima quinta-feira. As ações passarão a ser negociadas ex-JCP a partir de 3 de julho. O início do pagamento será a partir de 14 de julho de 2026.

Banestes (BEES3, BEES4) anuncia pagamento de juros sobre o capital

O Banestes (BEES3; BEES4) informou que seu conselho de administração aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) intermediários, referentes ao 2º trimestre de 2026, no valor bruto unitário de R$ 0,07290518263 por ação ordinária (ON) e preferencial (PN). O valor líquido a ser pago, já considerando a retenção de 17,5% de Imposto de Renda na fonte, será de R$ 0,06014677567 por ação. O pagamento será realizado no dia 20.07.2026. Terão direito aos proventos os acionistas posicionados na base acionária ao final do pregão de 02.07.2026. A partir de 03.07.2026, as ações passarão a ser negociadas “ex-direitos”.

Fitch e S&P rebaixam Braskem 

A agência Fitch rebaixou na última sexta-feira o rating da Braskem de “CC” para “C”, após a obtenção pela petroquímica de uma tutela cautelar para se proteger contra credores financeiros.

Já a agência de classificação de risco S&P Global rebaixou a classificação da Braskem de “CCC-” para “D”.

A Braskem reforçou em um comunicado nesta segunda-feira, 29, que a tutela de urgência e a mediação possuem “escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrangem quaisquer obrigações da companhia e suas controladas com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente, nos termos dos respectivos contratos”.

Economia:

Bolsa barata, mas sem comprador: risco fiscal e inadimplência afastam investidor do Brasil

O ambiente macroeconômico brasileiro desenha uma dinâmica que intriga o setor financeiro: apesar de operar com valuations historicamente baixos, o mercado de ações doméstico não consegue atrair o capital internacional. Enquanto bolsas globais renovam máximas históricas impulsionadas por empresas de tecnologia, o Brasil assiste à fuga de capitais.

“O cenário de ‘terra arrasada’ deixa o Brasil mais barato que a Argentina. A bolsa brasileira está extremamente barata, até em relação à média histórica do P/L. Mas o investidor estrangeiro olha e não tem coragem nem disposição para colocar dinheiro no país”, afirma Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero.

Segundo o economista, o desinteresse externo não é um mero capricho, mas um reflexo direto da deterioração dos fundamentos fiscais e do avanço regulatório sobre a liquidez corporativa. “O dinheiro não volta por causa do risco fiscal e da gastança”, resume Mendlowicz. Ele aponta que a inflação persistente passou a pressionar a autoridade monetária, eliminando as expectativas de curto prazo para um alívio na taxa Selic. “A inflação não dá trégua. Isso exige uma Selic elevada por mais tempo. Essa Selic de agora pode não cair para os patamares que o Brasil precisaria imediatamente”, avalia.

Classe média e empresas são mais impactadas pelo cenário

A manutenção do juro real em patamares restritivos já transborda para a economia, gerando recordes sucessivos de inadimplência tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. Em maio de 2026, o número de negativados no país atingiu a marca de 83,5 milhões, segundo dados da Serasa, um movimento que corrói o poder de compra e satura o mercado de crédito. No front corporativo, os pedidos de recuperação judicial acompanham o mesmo ritmo alarmante. “Se você tem que pagar de 20% a 30% de juro no ano sobre a sua dívida, você não tem esse lucro. As empresas não aguentam”, adverte o economista.

Mendlowicz enfatiza que o peso dessa desidratação econômica recai desproporcionalmente sobre uma faixa específica da população: “Quem está espremido é a classe média. A classe alta está bem, a classe baixa consegue alguma ajuda do governo. Mas a classe média enfrenta um cenário desesperador”.

Para agravar o fluxo de caixa das companhias, o economista sinaliza com preocupação a implementação do modelo de split payment na reforma tributária, que divide o imposto automaticamente no ato da transação eletrônica. “O governo vai receber o dinheiro antes de a empresa enxergar qualquer lucro. Isso vai tirar capital de giro e deixar o caixa mais apertado”, observa.

Bets drenam a renda dos brasileiros

Outro fator silencioso, mas preocupante para o comércio tradicional, tem sido o impacto das plataformas de apostas online, as chamadas bets. Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que, de janeiro de 2023 a março de 2026, o setor retirou R$ 143 bilhões do consumo de bens essenciais e entretenimento. “As apostas já tiraram mais dinheiro das famílias do que os juros. Esse dinheiro não vai fazer a roda da economia girar. A economia é uma roda, e ela está parando por falta de entendimento econômico”, comenta Mendlowicz.

Enquanto os gargalos internos paralisam a dinâmica doméstica, o capital global migra massivamente para mercados que lideram a fronteira tecnológica. O Brasil, dependente de commodities e sem representatividade no segmento de inovação, acaba isolado dos maiores fluxos de liquidez. “Bilhões de dólares estão saindo do Brasil para surfar a onda da inteligência artificial (IA) lá fora. Enquanto todo mundo discute tecnologia, o Brasil não é nem convidado para essas mesas. Ele assiste ao dinheiro ir embora e não faz nada”, conclui Charles Mendlowicz, reforçando a urgência de uma diversificação internacional de patrimônio diante da iminente volatilidade cambial e fiscal.

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