Disrupção prolongada do Estreito de Ormuz representa o maior risco para empresas químicas e aéreas

Publicados às 14h04
Os setores corporativos não financeiros, regiões e empresas apresentam níveis desiguais de exposição ao conflito no Oriente Médio e ao fechamento prolongado do Estreito de Ormuz.
Em relatório, a Moody’s avaliou essa exposição por meio de três canais de risco: mercados de energia e cadeias de abastecimento, condições macrofinanceiras e riscos geopolíticos e de segurança.
Também avaliou os riscos de refinanciamento e liquidez de todas as empresas não financeiras globalmente, a fim de identificar aquelas mais vulneráveis caso haja uma disrupção significativa nos mercados financeiros.
As empresas químicas, companhias aéreas e de produtos de construção são muito sensíveis aos riscos decorrentes do conflito no Oriente Médio. Os setores com uso intensivo de energia, estruturas de custos rígidas e poder de precificação limitado apresentam elevada exposição aos efeitos de uma disrupção prolongada do transporte no Estreito de Ormuz.
Os setores com exposição moderada enfrentam um enfraquecimento da demanda e rentabilidade menor, explicam os analistas da agência.
O aumento dos custos de energia, produção, transporte e outros insumos devem pressionar a rentabilidade, sobretudo nas empresas com menor poder de precificação. A piora da confiança do consumidor e os adiamentos das compras de clientes devem pressionar a receita dos setores cíclicos, avaliam.
Vários setores com foco no consumidor estão moderadamente expostos, incluindo produtos de consumo, varejo e vestuário e hospedagem, além de setores voltados para produção, como o manufatureiro e o de papel, embalagens e produtos florestais.
Determinados setores são particularmente sensíveis à elevação das taxas de juros, incluindo os fundos de investimento imobiliário (REITs, em inglês) e o setor imobiliário.
A qualidade de crédito mais fraca, risco de liquidez e necessidades de refinanciamento de curto prazo representam riscos para as empresas, a despeito do setor, comenta a equipe da Moody’s. Essas empresas enfrentam riscos mais elevados se um conflito prolongado provocar uma disrupção mais severa no mercado de crédito e um aumento significativo das taxas de juros do que as de nosso cenário central.
Uma instabilidade prolongada nos mercados financeiros pressionaria de forma desproporcional as empresas mais frágeis — especialmente aquelas com elevado grau de alavancagem financeira, vencimentos concentrados no curto prazo e baixa liquidez.
Ainda segundo o relatório, cerca de 70% das empresas teriam exposição negativa a uma disrupção prolongada e um efeito mais severo nas condições de refinanciamento do que o de nosso cenário central.
As empresas com os ratings mais baixos seriam particularmente vulneráveis, assim como outras com elevada exposição aos mercados de energia e riscos na cadeia de abastecimento.
As empresas da Ásia-Pacífico (APAC, em inglês) apresentam uma exposição negativa ligeiramente inferior à de outras regiões, apesar da dependência regional do petróleo do Oriente Médio, uma vez que cerca de 80% delas possuem rating de grau de investimento, em comparação com aproximadamente 30% das empresas em outras regiões.







