Crise dos COEs: ‘poucos investidores sabiam o que estavam fazendo’, avalia Charles Mendlowicz

9 de outubro de 2025 Por Redação

Charles Mendlowicz, o Economista Sincero

 

 

 

 

 

Publicado às 0h01 – atualizado às 13h30

A crise envolvendo os Certificados de Operações Estruturadas (COEs) lastreados em títulos da Ambipar (AMBP3) e da Braskem (BRKM5) levou a prejuízos que chegaram a 93% do valor investido para alguns investidores. O caso gerou um debate sobre o risco embutido em produtos complexos, que neste caso eram baseados em crédito.

Charles Mendlowicz,  sócio da Ticker Wealth, e conhecido como “Economista Sincero”, analisou o ocorrido e destacou a complexidade inerente aos produtos estruturados, alertando que “poucos investidores sabiam o que estavam fazendo”. A origem do problema, segundo o economista, foi a queda brusca no valor das empresas.

“No caso da Ambipar, por exemplo, com a dívida da empresa se tornando muito grande e a confusão corporativa, os títulos foram a um valor muito baixo, foi antecipado esse COE, essas dívidas, e o investidor ficou com menos de 7% do valor”, explicou Mendlowicz.

A Ambipar enfrenta uma perspectiva incerta sobre honrar seus créditos. Segundo informações da Bloomberg nesta semana, a Ambipar está trabalhando com consultores para preparar um pedido de recuperação judicial para a próxima semana. Já a Braskem contratou assessores financeiros para auxiliá-la na elaboração de um diagnóstico financeiro.

Risco desnecessário em cenário de juros altos

O economista questiona a busca por risco em um contexto de alta taxa de juros no Brasil, que oferece retornos elevados em investimentos mais simples e seguros: “Num cenário do Brasil com juros a 15% (Selic), você tem o Tesouro pagando IPCA+ 8. Existe a necessidade de procurar complexidade para ganhar um percentual pequeno a mais ou até uma rentabilidade menor do que ele já tem garantida no Tesouro?”.

Mendlowicz usou uma analogia para ilustrar a falta de sentido na decisão do investidor. “É como se eu estivesse te dando um prato de comida e você tivesse saindo para caçar com risco de morte. Não faz sentido você procurar esse risco”, disse o Economista Sincero.

Apelo à cautela e transparência

Mendlowicz afirmou que o investidor precisa entender onde está alocando seu dinheiro, especialmente em operações complexas onde não há o respaldo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). “O sujeito, às vezes, demora 5 dias para tomar uma decisão de qual é a melhor geladeira, qual é a melhor TV, mas na hora de colocar R$ 300, R$ 400, R$ 500 mil no investimento, toma a decisão em 5 minutos porque não quer ler o aviso em letras miúdas”.

O economista afirma que, para que o mercado brasileiro de investimentos cresça e seja mais seguro, precisa de transparência e cuidado. E para quem investe deixa uma dica importante: “Não invista naquilo que você não entende e não invista se você não sabe o risco final. Está em dúvida? Não faça, mesmo que seja uma oportunidade única. Tem oportunidade única todo dia”.

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