Receita Federal e PF combatem organização responsável por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, além de fraudes no setor de combustíveis

Publicado às 14h24
Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram, nesta quinta-feira, 28 de agosto, a Operação Tank, que investiga a lavagem de dinheiro do crime organizado, o contrabando de produtos químicos e sonegação fiscal em uma rede de postos e distribuidoras de combustíveis.
Os trabalhos investigativos tiveram início em meados de 2023 quando um ex-condenado por tráfico internacional e investigado na operação FERRARI e sua esposa começaram a ostentar bens de luxo em um condomínio de alto padrão em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, no Paraná, sem lastro fiscal para tanto. Ao todo, dentro do período investigado, somente esse casal teve mais de R$ 34 milhões disponíveis sem origem lícita comprovada aplicados em imóveis, veículos, embarcações e outros bens de luxo.
Descobriu-se então que eles teriam se associado a outros membros em uma empresa de produtos químicos em uma distribuidora de petróleo com sede administrativa em Pinhais e com sede operacional em Paulínia, em São Paulo, utilizando-se dessas empresas para provável mistura ilegal em combustíveis com Nafta e Metanol.
Por meio dessas adulterações de combustíveis, foi possível o grupo criminoso lavar e inserir recursos financeiros na economia formal mediante depósitos em espécie fracionados e, também, mediante transferências feitas por empresas de “representação, assessoria e participação e de apoio administrativo”, muitas delas em nome de interpostas pessoas.
No total, o grupo criminoso ocultou e dissimulou a origem ilícita de não menos que R$ 594 milhões em depósitos em espécie não identificados, utilizando-se para tanto de diversas empresas ligadas ao grupo criminoso, como Distribuidora, Postos de Combustíveis e Lojas de Conveniências, além da utilização de Instituição de Pagamentos – IP também pertencente ao grupo, que servia como uma “barreira” para ocultar ou dissimular a origem e o destino dos recursos.
Além dos depósitos em espécie, há ao menos 121 empresas suspeitas que transferiram em torno de R$ 1,4 bilhão para as contas da Distribuidora sem justificativa conhecida e sem documentação que desse amparo às transações. Esta mesma Distribuidora de Petróleo declarou faturamento de mais de 7 bilhões entre 2020 e 2023. Contudo, as evidências demonstraram que a empresa foi constituída, financiada e continuou operando com recursos ilícitos ao longo dos anos.
Uma outra Instituição de Pagamentos com sede na cidade de São Paulo também foi utilizada para a dissimulação da origem e destino dos recursos, tendo enviado mais de R$ 400 milhões para as contas dessa Distribuidora sem que se saiba a verdadeira origem dos recursos, afirmou a Receita Federal.
Ao todo, acredita-se que foram movimentados mais de R$ 20 bilhões em transações bancárias. Estima-se que foram deixados de arrecadar algo em torno de R$ 4 bilhões em tributos federais, além de aproximadamente 1 bilhão de reais que estão inscritos em dívida ativa.
Os mandados foram autorizados pela 13ª Vara Federal de Curitiba-PR e as ações ocorrem em cidades dos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Ao todo foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 14 de prisão.
Participam da operação 14 auditores-fiscais e analistas tributários da Receita Federal e cerca de 170 policiais federais.
Fonte: Receita Federal







