Pampa Energía vai investir US$ 2,7 bilhões na Argentina para construir uma das maiores fábricas de ureia do mundo

21 de julho de 2026 Por Redação

Imagem: site da Pampa Energia

A Pampa Energía anunciou a construção de uma fábrica de ureia granulada no Polo Industrial de Bahía Blanca, cidade portuária no sul da província de Buenos Aires, na Argentina. Até o fim de 2029, deve atingir produção anual de 2,1 milhões de toneladas do fertilizante. O Brasil será o principal mercado de exportação do produto, já que importa entre 7 milhões e 8 milhões de toneladas de ureia por ano.

É um novo negócio para a Pampa Energía e abrirá uma fonte de geração de divisas para o país vizinho. Estima-se cerca de US$ 1 bilhão por ano, entre substituição de importações e exportações. Instalado em uma área de 80 hectares, o complexo terá conexão direta com gasodutos provenientes de Vaca Muerta, na Patagônia argentina, considerada a segunda maior reserva de gás de xisto do mundo. Contará com uma planta de amônia, duas linhas de produção de ureia granulada com capacidade combinada de 6 mil toneladas diárias, silos de armazenamento e sistemas de carregamento para caminhões e navios destinados à exportação.

Marcelo Mindlin, presidente do Conselho de Administração da Pampa Energía, afirmou: “É a decisão de investimento mais importante da história da empresa e o maior projeto que empreendemos em muitos anos. A Argentina depende de fertilizantes de regiões localizadas a milhares de quilômetros e marcadas por elevada instabilidade geopolítica”. Segundo ele, o país passará a contar com abastecimento próprio de ureia, mais previsível e competitivo, além de poder exportar o produto. “O projeto permitirá gerar divisas, conquistar mercados e conectar o gás de Vaca Muerta a um dos setores mais importantes da economia argentina: o agronegócio.”

Com prazo estimado de execução de três anos e meio, o projeto impulsionará uma significativa geração de empregos e o desenvolvimento de Bahía Blanca e de toda a região. No pico das obras de construção, vai exigir 3.500 empregos diretos, além de milhares de postos de trabalho indiretos ligados à cadeia produtiva. Uma vez em operação, a fábrica vai gerar cerca de 300 empregos permanentes. Além disso, será construída uma planta de dessalinização, para fornecer água à operação, juntamente com uma nova infraestrutura portuária, contribuindo para ampliar o volume de operações do porto de Bahía Blanca.

O projeto será desenvolvido pela Tecnimont, integrante da unidade de negócios E&C Solutions do grupo MAIRE, e pela SACDE, companhias do setor de construção da Argentina. A Tecnimont ficará responsável pelas atividades de engenharia e suprimentos (procurement), enquanto a SACDE responderá pela construção.

A Tecnimont tem ampla experiência no setor de fertilizantes, tendo concluído mais de 100 fábricas de amônia e mais de 75 fábricas de ureia em diversos países. A tecnologia será fornecida pela Nextchem, por meio da subsidiária Stamicarbon, e pela KBR, duas das líderes mundiais em tecnologia para fábricas de fertilizantes.

Alessandro Bernini, CEO da MAIRE, comentou: “Esta contratação marca nossa entrada na Argentina, ampliando ainda mais nossa presença geográfica e demonstrando nossa capacidade de integrar a reconhecida expertise da Tecnimont na execução de projetos com o portfólio tecnológico da Nextchem para desenvolver empreendimentos industriais de grande escala em todo o mundo. Temos orgulho de contribuir para o desenvolvimento deste complexo estratégico de fertilizantes na região, que permitirá agregar valor às reservas de gás natural no segmento downstream argentino e, ao mesmo tempo, fortalecer a produção nacional de fertilizantes”.

Com este projeto, a Pampa Energía poderá agregar valor ao gás de Vaca Muerta e ampliar a produção para além da demanda doméstica. Em vez de exportá-lo como matéria-prima, a companhia passará a transformar o gás natural em um produto de maior valor agregado, reduzindo a dependência argentina de fornecedores externos e criando uma fonte de geração de divisas.