América Latina: perspectiva dos soberanos é estável com progressos fiscais desiguais, transições eleitorais e mudanças geopolíticas

4 de julho de 2026 Por Redação

Publicado às 11h19

Em relatório divulgado em 1° de julho, a agência de classificação de risco Moody’s revela que sua perspectiva para a qualidade do perfil de crédito soberano na América Latina e Caribe é estável em 2026-2027.

A recuperação impulsionada por reformas e a retomada do acesso aos mercados por soberanos com ratings mais baixos ocorrem em paralelo a um enfraquecimento do dinamismo fiscal, crescimento moderado e elevado custo da dívida nas economias maiores e com ratings mais altos.

As mudanças eleitorais testarão a capacidade dos governos de restaurar a segurança e realizar reformas fiscais. Enquanto isso, os realinhamentos geopolíticos envolvendo a renegociação do Acordo EUA-México-Canadá (USMCA, em inglês) são mais profundos, a integração comercial da China (A1 estável) e todas as políticas de migração dos EUA (Aa1 estável) trazem riscos e oportunidades.

O crescimento desacelera para níveis abaixo da mediana dos mercados emergentes, refletindo as restrições estruturais. A mediana do crescimento do produto interno bruto (PIB) real da América Latina, estimado em 2.5% em 2026 e 3% em 2027, ante a 2.8% em 2025, continua abaixo da observada em mercados emergentes, de 3.4% em 2026 e 3.7% em 2027, em meio a restrições persistentes ao investimento e produtividade. A exposição direta limitada ao Oriente Médio e termos de troca favoráveis das commodities protegem de algum modo a região. No entanto, o atraso nos ciclos de relaxamento monetário mantém as condições reais de financiamento limitadas.

O progresso desigual da consolidação fiscal mantém a mediana da dívida elevada. Os custos elevados da dívida aumentam as necessidades de consolidação fiscal para estabilizar os níveis de endividamento em países como México (Baa3 estável), Brasil (Ba1 estável) e Colômbia (Baa3 estável). No lado do financiamento, os governos mantêm os esforços para aprofundar os mercados em moeda local, que, na maioria dos casos, ainda representam a opção mais onerosa em termos nominais.

Os riscos de segurança e polarização política na América Latina testarão a qualidade institucional da região. A ampla disseminação do sentimento antiestablishment tem impulsionado um deslocamento político para a direita. O crime organizado, centrado principalmente no tráfico de cocaína, agrava os riscos sociais e segurança, ampliando as dificuldades de governança. A decretação de estados de emergência em alguns países melhora os resultados de segurança no curto prazo, mas enfraquece, ao longo do tempo, os mecanismos institucionais de pesos e contrapesos.

Os realinhamentos geopolíticos trazem riscos e oportunidades. A Moody’s espera que o México mantenha o acesso comercial preferencial dos EUA sob o USMCA , mas a incerteza sobre o futuro do framework permanece alta. O crescimento das importações chinesas limita a competitividade industrial, podendo levar a um aumento de barreiras comerciais, enquanto a concentração maior das exportações de commodities para a China pressiona a cadeia de valor regional. Enquanto isso, as entradas de remessas para a América Central permanecem robustas, apesar de políticas restritivas de migração dos EUA.

O que poderia mudar a perspectiva. Uma disrupção imprevista nos mercados de capitais, colapso nos preços das commodities e declínios subsequentes das taxas de crescimento impactariam as perspectivas. Reformas para desbloquear o crédito doméstico e o investimento em tecnologias de maior valor agregado seriam positivas para o perfil de crédito.