Queda das ações dos bancões: oportunidade?

Publicado às 21h06
As ações dos grandes bancos brasileiros perderam força nas últimas semanas. Após meses de alta os papéis passaram ao negativo. Considerando os últimos 30 dias até o fechamento do mercado na sexta-feira, 22 de maio, as ações do Itaú (ITUB4) acumulam queda de 10,7%; as PN do Bradesco (BBDC4) -11,7%; as do Banco do Brasil (BBAS3) -8,96%; e as units do Santander Brasil -9,24%.
Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o momento exige cautela e análise individualizada, e não pânico.
“Tem muito investidor preocupado com a queda dessas ações, mas é preciso ter calma. É importante a gente analisar para entender se é algo momentâneo ou estrutural”, afirma Mendlowicz, apontando que o cenário atual é reflexo direto de uma conjuntura macroeconômica severa.
O peso do crédito caro e do calote
A desaceleração econômica, somada à manutenção da taxa Selic em patamares elevados pelo Banco Central e ao endividamento das famílias, criou a tempestade perfeita para a alta da inadimplência. Segundo o economista, os efeitos colaterais já impactam o dia a dia das operações.
“O brasileiro está sem dinheiro, então é óbvio que ele acaba não pagando as suas dívidas. A inadimplência está altíssima e os bancos estão sentindo isso”, pontua Mendlowicz.
Para se protegerem de eventuais calotes, as cinco principais instituições financeiras do país (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa) acumularam um montante impressionante de R$ 51,3 bilhões em provisões entre janeiro e março de 2026. “O risco de calote entrou no radar de todos os bancos. Se o banco está com medo de tomar um calote, ‘puxa’ o tapete do cliente”, explica o Economista Sincero, justificando a postura mais conservadora na liberação de crédito.
Desempenhos assimétricos: quem sobe e quem desce
Apesar do “cenário de caos” generalizado, Mendlowicz enfatiza que os resultados recentes mostram uma forte assimetria entre os bancos, o que exige que o investidor avalie caso a caso.
- Itaú e Bradesco: foram os destaques positivos. O Itaú registrou lucro líquido de R$ 12,33 bilhões no primeiro trimestre (alta de 10,4% no comparativo com o mesmo período em 2025), impulsionado por anos de investimentos em tecnologia. Já o Bradesco, após um período de estagnação, colheu os frutos de uma nova gestão focada em crescimento, com lucro de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre e salto de 16% em um ano.
- Santander: apresentou estabilidade, com leve recuo de 1,9% no lucro no primeiro trimestre (R$ 3,79 bilhões).
- Banco do Brasil: foi a grande “bomba” do trimestre, com queda de 53,5% no lucro líquido (em relação ao primeiro trimestre de 2025), atingindo R$ 3,4 bilhões. “O lucro líquido vem caindo trimestre a trimestre. Tem sido um triturador de rentabilidade do banco”, avalia Charles.
Em contrapartida, fora dos “bancões” tradicionais, BTG Pactual apresentou salto de 42,3% no lucro no primeiro trimestre. No mesmo período, o Nubank teve lucro de US$ 871,4 milhões, considerado abaixo do esperado (analistas previam US$ 980 milhões).
O fim da era dos “bancões”?
Mendlowicz reitera que o mercado de grandes bancos não está perto do fim, e que as quedas recentes de preços podem, inclusive, abrir janelas de oportunidade para o longo prazo com foco em dividendos. “Sigo otimista com o mercado de ‘bancões’. Não acho que vá acabar. Mas acredito sim que o Banco do Brasil é que está ‘puxando’ o resultado das demais instituições”, conclui o economista.
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