IA é revolução produtiva ou a próxima bolha a estourar?

15 de maio de 2026 Por Redação

 

O mercado global vive um momento de entusiasmo com a inteligência artificial (IA), mas o cenário atual carrega semelhanças desconfortáveis com crises passadas. Em análise recente, o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e  fundador do canal Economista Sincero, avalia se o otimismo extremo com a tecnologia pode estar inflando uma bolha capaz de desestabilizar a economia mundial.

Para Mendlowicz, o comportamento do mercado lembra o início dos anos 2000. “Essa bolha, se ela for ficar parecida com alguma, será com a do início dos anos 2000, a bolha da internet. Todo mundo queria entrar e investia dinheiro em projetos em fase inicial, que ainda precisavam se provar”, acredita o economista.

Um dos principais pontos de atenção destacados pelo economista é a concentração excessiva de valor em um grupo de companhias que pertencem diretamente ao ecossistema de IA e infraestrutura digital. Mendlowicz observa que quase metade do índice S&P 500 (37%) está, hoje, alocado em 10 gigantes do setor de tecnologia. “Parece uma bolha e tem comportamento de bolha igual às últimas bolhas. Quase metade do índice está alocado em 10 big techs, e isso é uma característica das bolhas”, explica.

Ele compara a situação a um veículo em movimento com indicadores de superaquecimento no painel. “O indicador está falando que está esquentando o carro. Não é melhor ver se o nível  do líquido de arrefecimento está ok? Ou vale a pena acelerar ao máximo o carro de forma inconsequente?”, questiona o Economista Sincero.

Uso real vs. expectativa de lucro

Diferente da bolha de 2008, que pegou muitos investidores de surpresa, a discussão sobre a IA é aberta e fundamentada em um uso prático que já transforma setores. No entanto, Mendlowicz ressalta que a utilidade da ferramenta não garante a sobrevivência de todas as empresas que hoje recebem aportes bilionários: “As empresas estão investindo muito dinheiro, mas 95% ainda não estão vendo retorno”. O dado citado pelo economista é do estudo State of AI in Business 2025: The GenAI Drive, conduzido pelo MIT Project NANDA.

O desafio, segundo ele, é transformar o hype em lucro real, especialmente quando o mercado já precifica um futuro extremamente otimista. “Se sair um balanço aquém do esperado de uma dessas empresas gigantes, o mercado vai balançar”, alerta Charles Mendlowicz.

Geopolítica e infraestrutura

A corrida pela hegemonia da IA também passa pela infraestrutura física. Mendlowicz destaca a liderança dos Estados Unidos em data centers e a importância estratégica da energia barata, citando o exemplo negativo da Alemanha, que perdeu competitividade por depender de energia cara. “O Brasil, embora tenha potencial, segue atrasado nesse movimento”, analisa o economista.

Investidor deve ter prudência

Apesar do tom de cautela, o sócio da Ticker Wealth não sugere pânico, mas sim prudência e diversificação. Ele reforça a importância de não manter o patrimônio concentrado apenas em big techs e aponta a dolarização gradual como estratégia de defesa. Para Mendlowicz, “talvez a bolha da IA não exploda, mas desinfle aos poucos”.

Aos investidores que acumularam ganhos expressivos com empresas como Nvidia (que chegou a subir mais de 80% no comparativo entre os anos de 2024 e 2025), o Economista Sincero sugere que pode ser o momento de realizar parte dos lucros. “Quem ganhou muito dinheiro com algumas dessas empresas pode diversificar um pouco, ir para um título de renda fixa ou pegar uma outra ação”, conclui Mendlowicz.

Importante:

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