Economias emergentes da América Latina ampliam emissão de títulos em moeda local para reduzir dependência externa

Publicado às 12h34
São Paulo, 8 de abril de 2026 – As economias emergentes da América Latina estão expandindo o uso de títulos emitidos no mercado doméstico e em moeda local para reduzir a dependência de financiamento externo e fortalecer a resiliência a choques externos, de acordo com relatório da Moody’s. Uma base de investidores domésticos mais ampla e diversificada, mercados em moeda local mais profundos e credibilidade fiscal e monetária maior estão associados a rendimentos e liquidez mais estáveis durante períodos de estresse global, enquanto a disciplina fiscal e taxas de inflação baixas e estáveis ajudam a conter o custo da dívida doméstica. Por outro lado, países com bases de investidores pouco profundas, maior dependência da participação de não residentes e menor credibilidade de políticas tendem a estar mais expostos a choques financeiros globais.
A formação da capacidade de financiamento doméstico depende da poupança, eficácia das políticas e infraestrutura de mercado. A participação média da dívida pública emitida no mercado doméstico e em moeda local na América Latina aumentou cerca de cinco pontos porcentuais para aproximadamente 50% e 55%, respectivamente, desde 2016, contribuindo para um aumento da resiliência aos choques globais (por exemplo, no México e Uruguai. Os soberanos com pools de poupança domésticos maiores, desenvolvimento financeiro mais forte e arcabouços fiscais e monetários confiáveis registraram participações maiores de dívida doméstica (Chile, Costa Rica), enquanto outros permanecem limitados por mercados pouco profundos (Paraguai) e limitações de política (p. ex., Argentina).
A profundidade do mercado por si só não garante custos baixos no financiamento doméstico nas grandes economias. Avaliamos vários fatores que facilitam o desenvolvimento dos mercados de financiamento doméstico. Mesmo em países com mercados monetários locais expressivos e bases de investidores institucionais grandes, os custos do financiamento doméstico podem permanecer elevados (p. ex., Brasil, Colômbia) em virtude da credibilidade fiscal fraca e transmissão restrita da política monetária para os custos do financiamento local. Esses fatores ressaltam a importância da disciplina fiscal e eficácia da política para reduzir os prêmios de risco domésticos.
As restrições estruturais limitam a capacidade de financiamento doméstico em soberanos menores e com rating mais baixo. Algumas economias enfrentam pools de poupança mais estreitos, eficácia de política média mais fraca e dependência maior de financiamento externo, o que resulta em participações menores da dívida doméstica e vulnerabilidade maior a disrupções no financiamento global. A forte dependência de bancos no mercado doméstico pode estreitar o elo entre bancos e soberanos (como por exemplo na Guatemala) e potencialmente deslocar o crédito ao setor privado. Em contraste, esforços para melhorar a infraestrutura de mercado e ampliar a base de investidores (p. ex., na Jamaica e República Dominicana) ajudam a mitigar esses riscos.







