Confira os destaques corporativos deste feriado: Braskem, Motiva, Copasa, Embraer, Caixa Seguridade e outras companhias

3 de abril de 2026 Por Redação

 

Publicado às 18h56

Confira os destaques corporativos deste feriado:

Braskem não descarta medidas de proteção contra credores

A Braskem (BRKM5) prestou esclarecimentos à Comissão de Valores Mobiliários após uma matéria divulgada pela agência Bloomberg.

Segundo a Bloomberg, “a Braskem avalia recorrer à recuperação judicial ou a outros mecanismos de proteção contra credores, em meio a dívidas”. A informação é atribuída a fontes.

A Braskem ressaltou em um comunicado divulgado na noite de quinta-feira, 2, que contratou em setembro do ano passado assessores financeiros e jurídicos especializados para auxiliar na elaboração de um diagnóstico abrangente de alternativas econômico-financeiras para otimizar a sua estrutura de capital.

“No curso dos trabalhos relativos a tal diagnóstico, a companhia e seus assessores consideram diferentes alternativas, incluindo eventuais medidas de proteção contra credores. Não obstante, esclarecemos que nesta data não há qualquer decisão acerca da alternativa (ou conjunto de alternativas) a ser(em) implementadas”, afirmou a petroquímica no comunicado.

A Braskem explicou também que o diagnóstico ainda está em curso e a companhia e seus assessores vêm avançando de forma estruturada na formulação de um plano abrangente de reestruturação da sua estrutura de capital e em tratativas junto aos assessores dos credores.

Motiva (MOTV3) celebra contrato para assumir concessionária da rodovia Fernão Dias

A Motiva (MOTV3) e a Arteris celebraram contrato que prevê a aquisição, pela Motiva, da totalidade das ações de titularidade da Arteris na Autopista Fernão Dias, atual concessionária da Rodovia BR-381/MG/SP, correspondente a 100% de seu capital social.

O valor da transação é de R$ 381,3 milhões, à vista com eventual ajuste de preço no valor de R$ 19,5 milhões, cuja exigibilidade encontra-se sob análise no âmbito de medida cautelar proferida pelo Tribunal de Contas da União, explicou a Motiva em um comunicado enviado ao mercado na noite de quinta-feira, 2 de abril.

“A transação representa a aquisição de um ativo premium alinhada ao planejamento estratégico da Motiva e aos seus rigorosos critérios de alocação de capital e geração de valor sustentável”, afirmou a companhia.

O ativo está inserido em um corredor econômico relevante, reunindo importantes pólos industriais, agrícolas e logísticos, o que reforça sua atratividade e resiliência de demanda, destaca a Motiva. Com a consumação da transação e a celebração do respectivo Termo Aditivo de Modernização ao Contrato de Concessão da Autopista Fernão Dias, a Motiva passará a operar em uma nova região geográfica, Minas Gerais, fortalecendo a escala de sua plataforma de rodovias e aumentando sua competitividade no setor.

Trata-se da maior rodovia federal em volume de eixos equivalentes pedagiados em 2025, com demanda amplamente conhecida, associada a uma base econômica diversificada e perfil de investimentos de baixa complexidade, fatores que contribuem para a previsibilidade operacional e a geração sustentável de caixa ao longo da concessão, ressaltou a Motiva.

Fitch afirma rating da Copasa; perspectiva ‘estável’

A agência de classificação de risco Fitch afirmou o rating nacional de longo prazo ‘AAA(bra)’ da Copasa (CSMG3) e de suas 14ª, 17ª, 20ª e 22ª emissões de debêntures quirografárias.

A perspectiva do rating corporativo é “estável”.

Segundo a agência, o rating da Copasa reflete a expectativa de manutenção do seu robusto perfil de crédito, com ampliação das margens e fortalecimento da geração operacional de caixa para suportar os fortes investimentos e o pagamento da outorga para estender o contrato com o Município de Belo Horizonte.

A classificação incorpora ainda os sólidos fundamentos do setor de saneamento básico, que apresenta demanda resiliente e operações baseadas em contratos de longo prazo com a maioria dos municípios atendidos, comenta o time de analistas da Fitch.

Segundo o relatório, a Copasa está exposta a riscos hidrológicos e sua eventual privatização não deve afetar seu rating, pois o impacto do atual controlador, o Estado de Minas Gerais, no seu perfil de crédito é limitado.

RD Saúde (RADL3) altera ‘data com’ para ter direito a juros sobre o capital

A RD Saúde (RADL3) informou na quinta-feira, 2, após o fechamento do mercado, a alteração da ‘data com’ (data de corte) dos juros sobre o capital anunciados em 31 de março. A data passou de 3 de abril (que cairia neste feriado de Sexta-feira Santa) para 6 de abril, próxima segunda-feira. A partir de 7 de abril as ações da companhia serão negociadas “ex juros sobre capital próprio”. Os juros sobre o capital próprio são no montante total bruto de R$ 150,4 milhões. O valor bruto a ser pago por ação é de R$ 0,08601480302. O pagamento será até o dia 1° de dezembro de 2026, em data a ser fixada pela administração.

Moody’s Local Brasil afirma ratings da Vale 

A agência de classificação de risco Moody’s Local Brasil afirmou em 31 de março o rating corporativo AAA.br da Vale (VALE3). A perspectiva é “estável”. Ao mesmo tempo, afirmou os ratings AAA.br da 8ª, 10ª e 11ª Emissão de Debêntures, sem garantia real.

A afirmação dos ratings associados à Vale reflete sua escala como uma das maiores mineradoras do mundo em minério de ferro e com atuação relevante em metais de transição energética (cobre e níquel), explicou a Moody’s Local Brasil.

A posição competitiva é extremamente forte, estando posicionada no começo da curva de custos do setor. O rating também incorpora a diversificação geográfica de ativos, clientes e diferentes commodities.

Segundo a agência, a robustez do modelo de negócios da Vale está refletida em suas métricas de crédito, com destaque para baixa alavancagem, elevada cobertura de juros e forte geração de caixa.

Ainda segundo a Moody’s Local Brasil, a companhia mantém uma política financeira conservadora e proativa, com liquidez extremamente robusta, contribuindo para mitigar a exposição à volatilidade do mercado de commodities e aos riscos do setor.

“Ponderamos que o acordo definitivo de Mariana reduziu de forma relevante as incertezas das saídas de caixa das reparações”, ressalta a agência, destacando que, por outro lado, os litígios em Londres e Amsterdã podem resultar em saídas de caixa incrementais no curto ou médio prazo, porém sem alterar de forma substancial a liquidez da companhia, dadas as provisões existentes e o próprio acordo fechado no Brasil.

Conselho da Sanepar aprova a adoção de medidas contra consulta pública da Agepar sobre precatório 

A Sanepar (SAPR4, SAPR11) informou que seu conselho de administração aprovou a adoção de medidas em face da consulta pública da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar).

Em março a Agepar propôs que os R$ 3,94 bilhões recebidos pela Sanepar via precatório sejam integralmente destinados aos usuários. A proposta da Agepar será submetida a um processo de consulta pública em fins de abril.

As medidas a serem adotadas pela companhia podem ser administrativas e/ou judiciais.

Para analistas, uma das consequências da proposta da Agepar é a redução do potencial de captura de valor pela Sanepar, afetando suas expectativas de retorno e geração de caixa. Também havia a expectativa de que ao menos parte dos ganhos com o precatório ficaria com a Sanepar e seria distribuída a acionistas por meio de provento extraordinário.

O precatório refere-se a uma vitória judicial da Sanepar contra a União, finalizada em setembro do ano passado, envolvendo imunidade tributária.

A Sanepar também informou na noite de quinta-feira, 2, que seu conselho de administração, deliberou sobre a destituição do diretor comercial da companhia, Bihl Elerian Zanetti.

Caixa Seguridade contrata Itaú Corretora para exercer a função de formador de mercado de suas ações

A Caixa Seguridade (CXSE3) contratou a Itaú Corretora de Valores para exercer a função de Formador de Mercado de suas ações ordinárias (CXSE3) no âmbito da B3.

O contrato formalizado entre Caixa Seguridade e a Itaú Corretora tem como objetivo fomentar a liquidez das ações de emissão da companhia pelo prazo de 12 meses, a contar de sua celebração, podendo ser prorrogado mediante assinatura de termo aditivo firmado entre as partes. O novo formador de mercado iniciará as suas atividades em 3 de abril.

A Caixa Seguridade informou que 600 milhões de ações ordinárias de sua emissão se encontram em circulação no mercado e que não existe qualquer contrato regulando o exercício do direito de voto ou a compra e venda de valores mobiliários de sua emissão com o formador de mercado.

Embraer registra 44 aeronaves entregues no primeiro trimestre, alta de 47% na comparação anual 

A Embraer (NYSE: EMBJ / B3: EMBJ3) divulgou que entregou 44 aeronaves no primeiro trimestre de 2026 (1T26). O resultado representa um crescimento de 47% na comparação anual (ano contra ano), frente às 30 aeronaves entregues no primeiro trimestre de 2025 (1T25), dado o progresso nas iniciativas de nivelamento de produção implementadas pela empresa.

Na Aviação Comercial foram entregues 10 novas aeronaves no período — 3 delas do modelo E195- E2, a maior aeronave atualmente em produção pela Embraer nesse segmento — no primeiro trimestre do ano. O volume da unidade de negócios cresceu 43% em relação ao 1T25, quando foram entregues 7 aeronaves.

A Aviação Executiva entregou 29 jatos no trimestre, um aumento de 26% na comparação com o 1T25, quando foram entregues 23 aeronaves. O desempenho foi impulsionado pelo maior número de entregas tanto de jatos leves quanto de médio porte, refletindo a demanda sólida e contínua no segmento.

Em Defesa & Segurança, a companhia entregou 1 aeronave de transporte militar multimissão KC390 Millennium e 4 A-29 Super Tucano, totalizando 5 aeronaves no trimestre, em comparação com nenhuma entrega no mesmo período do ano anterior.

A Embraer estima entregas entre 80 e 85 aeronaves na Aviação Comercial em 2026 (ponto médio com crescimento de 6% ano contra ano) e entre 160 e 170 aeronaves na Aviação Executiva (ponto médio também com crescimento de 6% ano contra ano).

Economia

Pacote de R$ 403,2 bi testa a credibilidade fiscal do Brasil

O cenário econômico brasileiro apresenta uma dicotomia que desafia analistas: de um lado, indicadores de crescimento que superam projeções iniciais; de outro, uma deterioração na percepção popular e um ceticismo crescente do mercado financeiro. No centro dessa tensão está o planejamento fiscal para 2026, que já soma R$ 403,2 bilhões em medidas de estímulo, variando de isenções de Imposto de Renda a subsídios de crédito.

Para o economista Charles Mendlowicz, fundador do canal Economista Sincero e sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, o volume desses recursos levanta um alerta sobre a sustentabilidade do modelo. “O governo já reúne R$ 403,2 bilhões em medidas para 2026. E sim, no curto prazo, funciona. Mais renda e mais crédito fazem a economia girar, aliviam o orçamento das famílias e dão fôlego para a atividade”, explica Mendlowicz. Contudo, ele pondera que esse mecanismo é comum em ambientes eleitorais e carrega riscos intrínsecos de longo prazo.

A estratégia de injeção de liquidez na economia visa gerar um efeito imediato no consumo das famílias. No entanto, o mercado financeiro reage a esses movimentos projetando o custo do endividamento público. “Existe um ponto mais importante que o volume: a confiança. Quando o mercado começa a duvidar da capacidade de bancar esse gasto sem pressionar ainda mais as contas públicas, os juros sobem, o risco aumenta e o alívio de agora pode virar preocupação lá na frente”, afirma o economista.

Inflação e o cotidiano

A dinâmica apresentada por Mendlowicz explica por que, mesmo com estímulos, a percepção de bem-estar pode não acompanhar os números oficiais do PIB. Quando a curva de juros futuros se inclina devido ao risco fiscal, o custo do crédito para o consumidor final e para o setor produtivo aumenta, anulando parte dos benefícios dos programas de transferência de renda.

“Essa realidade gera uma frustração com as narrativas oficiais, pois o cara liga a TV e ouve que o governo melhorou muito, mas quando sai de casa encontra gasolina a R$ 7,20, paga R$ 40 em um lanche com café. A realidade das prateleiras acaba se sobrepondo aos indicadores macroeconômicos”, avalia o Economista Sincero.

Outro fator de desgaste é a inflação percebida, que muitas vezes diverge dos índices oficiais como o IPCA. Mendlowicz aponta que o aumento de impostos e taxas (que segundo o economista já somariam 27 intervenções neste mandato) atua como um limitador do poder de compra.

“No papel, é estímulo. Na prática, pode virar um teste de credibilidade. No fim, não é só sobre gastar mais. É sobre até onde dá para ir sem perder o controle fiscal”, resume Mendlowicz.

Perspectivas para 2026

A sustentabilidade dessa estratégia será testada nos próximos meses. O desafio do governo será equilibrar a manutenção desses estímulos sem disparar as expectativas de inflação para os anos seguintes. “O alívio de agora pode virar preocupação lá na frente”, reforça Charles, indicando que o mercado estará atento a qualquer sinal de descontrole nas contas públicas que possa forçar o Banco Central a manter a taxa Selic em patamares restritivos por mais tempo.

O cenário sugere que o sucesso ou fracasso das medidas de 2026 não dependerá apenas do volume de capital injetado, mas da capacidade do país em manter as âncoras fiscais e a confiança dos agentes econômicos.

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