Resultados do 4T25: artigos com análises que foram destaque nesta semana

28 de fevereiro de 2026 Por Redação

renda fixa, fundamentos, ações

 

 

Publicado às 20h26

Axia (AXIA): a avaliação do resultado do 4T25

Para a equipe da Genial Investimentos, mesmo com resultados ainda um pouco abaixo das expectativas de seus analistas, a Axia entregou no quarto trimestre (4T25) uma importante continuidade na evolução de custos gerenciáveis, boas perspectivas de geração de caixa tendo em vista os maiores preços de energia e o processo de descotização da empresa (onde a energia passará a ser vendida em termos mais interessantes). A equipe destaca que o grande vilão do trimestre diz respeito ao curtailment com impacto de R$ 250 milhões. A Genial segue com a recomendação de “compra” para a ação ordinária com a Axia sendo a preferência no setor de ‘utilities’ (utilidade pública).

Para a XP Ebitda ajustado da Axia ficou 11% abaixo da sua projeção e cerca de 9% a 10% abaixo das estimativas de consenso. Os principais pontos de desvio em relação aos números da XP foram energia vendida no trimestre 13% abaixo e receitas de transmissão R$ 319 milhões abaixo do esperado.

O time de analistas não vê fatores relevantes que o leve a revisar substancialmente as estimativas, embora queira aprofundar a discussão com a gestão sobre como aumentar a precisão da alocação de energia ao longo do ano. A XP manteve a recomendação de “compra”.

Para o BTG, a Axia reportou um 4T25 forte e destacou 2025 como um ano de inflexão após mudanças de gestão, estratégia comercial, venda de ativos, acordo de governança e gestão de balanço. O Ebitda ajustado reportado foi de R$ 5,3 bilhões, levemente abaixo das estimativas do banco, mas ajustes adicionais indicariam um Ebitda entre R$ 5,8 bilhões e R$ 5,9 bilhões. O lucro líquido ajustado atingiu R$ 2,6 bilhões, acima das estimativas da equipe do BTG, e a dívida líquida ao fim do ano ficou R$ 2 bilhões abaixo de sua projeção.

Em relatório a equipe do banco afirma que a ação permanece no portfólio com recomendação de “compra”, apesar do desempenho forte desde o início de 2025. A visão segue associada à reprecificação gradual das expectativas de preços de energia pelo mercado.

A avaliação do resultado do 4T25 da Telefônica Brasil (VIVT3)

A equipe de analistas da XP comenta em relatório que a Telefônica Brasil (VIVT3) apresentou resultados sólidos no quarto trimestre de 2025 (4T25), com receitas em linha com suas estimativas e um claro destaque em Ebitda, apesar da base de comparação mais difícil por conta de efeitos pontuais no mesmo trimestre de 2024 (4T24) ligados à migração para o regime de autorização.

A receita líquida totalizou R$ 15,6 bilhões (+7,1% ano contra ano), sustentada pelo crescimento em pós-pago, FTTH (Fiber-to-the-home) e digital B2B. O Ebitda atingiu R$ 6,7 bilhões (+8,1% ano contra ano), 5,1% acima da estimativa da XP, com expansão de margem.

“Mesmo desconsiderando a linha de ‘Outras Receitas (Despesas) Operacionais’, o Ebitda cresceu em ritmo de dois dígitos e superou nossas projeções, o que reforça a qualidade dos resultados no trimestre”, destaca o time de analistas em relatório.

O lucro líquido atingiu R$ 1,88 bilhão (+6,5% ano contra ano), também acima do projetado, enquanto o fluxo de caixa livre acelerou de forma relevante, apoiado por menor intensidade de capex e normalização do capital de giro.

A Telefônica Brasil também anunciou na segunda-feira, 23, a criação de um novo programa de recompra de ações de emissão da companhia, para os anos de 2026 e 2027. Poderão ser compradas até o máximo de 42.861.656 ações ordinárias. O programa encerra em 22 de fevereiro de 2027.

Gerdau (GGBR4): a avaliação do resultado do 4T25

Em relatório, a Genial Investimentos destaca que a narrativa continua ancorada na queda de rentabilidade no Brasil, com margem de apenas 7,1%. Apesar de algumas surpresas operacionais positivas em relação ao que esperavam seus analistas (volumes e preços), esse nível ainda é o pior já registrado pela companhia em toda a série histórica, ao menos desde 2017, comenta a equipe.

Por outro lado, a Genial ressalta o forte desempenho das operações na América do Norte, o que ajudou a compensar parcialmente essa fraqueza, levando a margem consolidada para 14%, basicamente estável na comparação anual. Com relação a dividendo, a equipe não vê motivos plausíveis para aumentos no curto prazo, projetando dividend yield (rendimento do dividendo) de 3%. A Genial Investimentos reiterou a recomendação de “manter” com preço-alvo de R$ 21,50.

Já para o BTG, a Gerdau reportou resultados do 4T25 amplamente em linha com o consenso, porém 3% abaixo das suas estimativas, refletindo sazonalidade mais fraca. O Ebitda atingiu R$ 2,37 bilhões, queda de 13% na base trimestral e estável na comparação anual, evidenciando a diferença recorrente entre o forte desempenho nos Estados Unidos e a fraqueza no Brasil, explica o banco.

A operação americana destacou-se com margem Ebitda de 21,1%, acima das estimativas, enquanto o Brasil permaneceu em níveis deprimidos com margem de 7%. Mais de 70% do Ebitda passou a vir dos Estados Unidos, reforçando a diversificação regional como vantagem competitiva, observa a equipe de analistas.

A geração de fluxo de caixa foi sólida, com yield anualizado de 13%, mas considerada de baixa qualidade devido à liberação de capital de giro e outras entradas de caixa.

A companhia anunciou dividendos de R$ 0,10 por ação e novo programa de recompra equivalente a 2,9% das ações, além de impairment de R$ 2 bilhões em ativos no Brasil.

No balanço, houve redução relevante da dívida bruta e da posição de caixa, com alavancagem líquida estável em 0,76x Dívida Líquida/Ebitda, considerada saudável.

Para o time do BTG, apesar da qualidade operacional e da relevância da exposição aos EUA, o valuation tornou-se menos atrativo após a recente valorização (a ação GGBR4 acumula alta de 32% em 12 meses). Com dinâmica ainda desafiadora no Brasil e upside mais limitado, a recomendação permanece “neutra”. O preço-alvo é de R$ 25.

Para a XP a Gerdau apresentou “resultados neutros” refletindo mais um desempenho sólido na América do Norte, compensado por um ambiente mais fraco no Brasil. O time de analistas manteve uma visão construtiva para as ações da siderúrgica, apoiada pelo forte desempenho das operações norte‑americanas, que a XP espera compensar o cenário relativamente mais fraco no Brasil. Foi mantida a recomendação de “compra” para Gerdau.

Irani (RANI3): a avaliação do resultado do 4T25 e a proposta de dividendo

A equipe de analistas da XP destaca em relatório que a Irani (RANI3) reportou resultados neutros no quarto trimestre de 2025 (4T25), com Ebitda ajustado de R$ 128 milhões, queda de 12% na base trimestral, impactado pela sazonalidade mais fraca, embora com desempenho resiliente de preços e menores custos de OCC (papelão ondulado usado), resultando em margens de Ebitda de 30,8%.

Entre os principais destaques, a XP ressalta um sólido desempenho de preços na divisão de papel. A XP ressaltou que a Irani também está propondo distribuição de dividendos e reiterou a recomendação de “compra” para a ação da companhia com preço-alvo de R$ 12 (fim de 2026).

No release de resultado do quarto trimestre, divulgado na segunda-feira, 23, a administração da Irani propõe o pagamento de R$ 9,5 milhões em dividendos com base nos resultados do 4T25, o equivalente a R$ 0,0415 por ação. Esse provento deve ser confirmado no mês março pela empresa.

A Irani também propõe o pagamento de R$ 59,7 milhões em dividendos adicionais, o correspondente a R$ 0,25 por ação. Esse provento precisa ser confirmado pelo conselho de administração e também pela assembleia geral ordinária, a ser realizada em abril deste ano.

O GPA (PCAR3) e a ‘incerteza relevante’ sobre sua ‘continuidade operacional’

Em relatório, o time de analistas da XP comenta que o GPA (PCAR3) reportou resultados tímidos no quarto trimestre (4T25), com receita pressionada por demanda fraca e inflação de alimentos contida, mas com expansão de margem bruta e Ebitda por eficiências operacionais.

Para a equipe, a dinâmica de geração de caixa segue preocupante, com o fluxo de caixa livre de 2025 consumido por elevados resultados financeiros.

A XP destaca que o mercado deve focar na inclusão do chamado “risco de continuidade operacional” nas notas explicativas. O GPA reportou capital de giro líquido negativo de R$ 1,2 bilhão, decorrente principalmente de R$ 1,7 bilhão em dívidas a pagar em 2026, enquanto continua gerando prejuízo líquido. Com isso, a nota traz incerteza quanto à continuidade operacional da companhia, explica a XP, salientando que, para lidar com a situação, o GPA trabalha na gestão de passivos e monetização de créditos tributários.

Na nota explicativa de número 1.6, a empresa afirma que apesar da melhora nos principais indicadores operacionais, bem como geração positiva recorrente de caixa operacional, continua apurando prejuízo no período. “Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”, explica a companhia.

Na teleconferência para analistas realizada nesta quarta-feira, 25, o CEO do GPA, Alexandre Santoro, atribuiu o problema a “decisões passadas desconectadas da realidade operacional da empresa”. Segundo o executivo, o GPA vai buscar aumentar receita com corte de gastos e renegociação de dívidas.

Iguatemi (IGTI11): a avaliação do 4T25

A Iguatemi (IGTI11) divulgou resultados positivos para o quarto trimestre de 2025 (4T25), em linha com as expectativas da XP.

Em relatório, o time de analistas comenta que, operacionalmente, as vendas dos lojistas cresceram +12,8% no ano/ano, ajudadas por SSS de 5,9%, SAS sólido de 8,4%, aumento nas vendas por m² (+7% na base anual).

Embora a ocupação tenha diminuído 100 pontos base ano/ano, os custos de ocupação também diminuíram -0,1 p.p. e a inadimplência líquida em -3,5%, continuaram a indicar uma condição saudável dos lojistas e espaço para aumento de aluguel, avalia a equipe de analistas.

A receita líquida superou os números da XP e cresceu 11% na base anual de comparação, impulsionada por forte aluguel variável, aumento das taxas de administração e expansão robusta do varejo.

A alavancagem financeira atingiu 1,88x (+0,4x em relação ao trimestre anterior), refletindo a menor posição de caixa no trimestre (-4,6% em relação ao trimestre anterior). Foi mantida a recomendação de “compra”. Além disso, a XP reiterou a Iguatemi como a principal escolha entre as empresas de propriedades de renda.

WEG (WEGE3): a avaliação do 4T25

O J.P. Morgan rebaixou a recomendação da WEG (WEGE3). Passou de “overweight” (equivalente à compra) para “neutra”. O preço-alvo foi reduzido de R$ 50 para R$ 49.

A atualização das estimativas ocorre depois da divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) na quarta-feira, 25.

A equipe do banco continua a ver a companhia como uma empresa de alta qualidade com diversas vias de crescimento como transformadores e BESS (Battery Energy Storage System).

O rebaixamento deriva da revisão para baixo no LPA (Lucro por Ação) para 2026/2027, o que também reflete um real mais forte do que o esperado.

Para a equipe do J.P. Morgan, a WEG segue sendo negociada com múltiplos elevados, mesmo diante de um crescimento que ainda não retornou aos patamares históricos. A visão cautelosa sobre o papel é devido ao fato de que a expansão dos resultados não acompanha o nível de valorização observado.

Para a Genial Investimentos, a WEG divulgou resultados no 4T25 considerados “neutro”, com surpresa positiva na margem, mas sem força suficiente para reancorar o vetor de valorização das ações no curto prazo.

O lucro líquido totalizou R$ 1,5 bilhão, 12,9% abaixo da estimativa da Genial e levemente abaixo do consenso. “Em síntese, o trimestre confirma a perda de tração na linha superior, mas com rentabilidade operacional mais resiliente do que o mercado antecipava”, comenta a equipe da corretora. Foi mantida a recomendação de “compra” com preço-alvo R$ 62.

Para a XP, a WEG apresentou resultados neutros no 4T25, com lucro líquido em linha com as expectativas de seus analistas. Em relatório, a equipe comenta que a margem Ebitda surpreendeu positivamente em 22,4% (+0,2 p.p. na base trimestral), com iniciativas de eficiência e mix favorável mais do que compensando impactos relacionados a tarifas. Embora um crescimento de lucro mais suave possa parecer negativo, os resultados vieram amplamente em linha e na avaliação da XP, não devem gerar preocupações relevantes.

Com o crescimento orgânico de curto prazo ainda limitado, o time de analistas segue vendo a WEG como beneficiária da rotação em curso para ações brasileiras, apesar de valuation e riscos de médio prazo relacionados a IA estarem se tornando pontos de contestação mais frequentes.

Isa Energia (ISAE4): a avaliação do resultado do 4T25

O lucro líquido regulatório da Isa Energia (ISAE4) foi de R$ 482,7 milhões, queda de 40,4% na base anual. A queda reflete principalmente a normalização de efeitos tributários positivos observados no ano anterior e maior despesa financeira, não indicando deterioração operacional, observa a equipe de analistas da Genial Investimentos, que alterou a recomendação para “manter”.

No geral, a Genial mantém uma leitura construtiva do trimestre, destacando que a companhia segue executando com disciplina sua estratégia de crescimento regulado e geração de valor de longo prazo. “Apesar dos pesares, vemos a empresa negociando sem upside em relação ao nosso preço-alvo e a uma TIR de apenas 6,8% em termos reais, sem nenhum prêmio em relação aos títulos do tesouro”, escreve em relatório a equipe.

Para o time, o trimestre reforçou elementos centrais da tese: previsibilidade da RAP (Receita Anual Permitida – a remuneração que as transmissoras recebem pela prestação do serviço público de transmissão aos usuários); execução consistente do pipeline greenfield e remuneração ao acionista.

A Genial ressaltou positivamente a aceleração dos investimentos, que atingiram patamar recorde no trimestre, refletindo a fase mais intensiva do ciclo de expansão; a manutenção da política robusta de distribuição de proventos; o aumento do endividamento ainda compatível com o estágio de crescimento e com a previsibilidade do fluxo de caixa do setor e a expansão da base de ativos remunerados, reforçando a visibilidade de crescimento da RAP nos próximos ciclos tarifários.

Para a XP, a Isa reportou resultados operacionais do 4T25 amplamente em linha. Foi mantida a recomendação “neutra” com preço-alvo de R$ 25.

A companhia divulgou um Ebitda 2% abaixo da projeção da XP e lucro líquido reportado de R$ 329 milhões, também abaixo de suas estimativas.

Para seus analistas, é importante monitorar como a companhia irá se posicionar nos próximos leilões de transmissão previstos para este ano, sendo o primeiro esperado para março, uma vez que lances excessivamente agressivos podem impactar negativamente a percepção dos acionistas em relação à disciplina de alocação de capital.

 

 

Fitch rebaixa ratings da Cosan (CSAN3)

A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou nesta sexta-feira, 27, os IDRs (Issuer Default Ratings – Ratings de Inadimplência do Emissor) de Longo Prazo em Moedas Estrangeira e Local da Cosan (CSAN3) para ‘BB-‘, de ‘BB’, e seu Rating Nacional de Longo Prazo para ‘A+(bra)’, de ‘AAA(bra)’.

A agência também rebaixou o rating das notas perpétuas garantidas incondicional e irrevogavelmente pela Cosan para ‘BB-‘, de ‘BB’, e o rating de suas debentures sem garantias para ‘A+(bra)’, de ‘AAA(bra).

A Fitch colocou todos os ratings em observação “negativa”.

O rebaixamento reflete a contínua pressão sobre a estrutura financeira e a flexibilidade financeira da Cosan, que precisa vender ativos para amortizar dívidas de longo prazo, explicou a agência.

A Fitch reavaliou a estratégia de gestão e a tolerância a risco da Cosan, considerando-as fatores negativos, apesar de os recursos provenientes da recente oferta subsequente de ações (follow-on) terem sido utilizados para reduzir a dívida.

A observação negativa reflete o risco de execução da estratégia de desinvestimento da empresa para amortizar dívidas e melhorar seus indicadores de crédito.

O cronograma e as condições das vendas de ativos permanecem incertos, afirma a Fitch, destacando que a “falha na execução desta estratégia nos próximos meses pode resultar em rebaixamento adicional dos ratings da Cosan”.

Importante:

O Finance News não faz recomendação de compra ou venda de ativos. O texto acima tem por objetivo informar. O preço-alvo é uma projeção baseada em uma metodologia e varia dependendo da instituição financeira. Procure profissionais especializados e certificados para tomar qualquer decisão sobre investimentos. Para mais detalhes acesse o site da Comissão de Valores Mobiliários.

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