IA, crise do software e a mensagem do CEO da Totvs

16 de fevereiro de 2026 Por Redação

 

Publicado às 13h03

No dia 4 de fevereiro as ações da Totvs fecharam em baixa de 12,8%. Segundo analistas, a forte desvalorização se seguiu à baixa das ações de empresas do setor de software nos Estados Unidos. Nesse mesmo dia, o índice de software e serviços, que reúne várias empresas líderes de nuvem e software, havia caído pela sexta sessão consecutiva, a maior sequência de perdas desde março de 2020, no auge da pandemia.

As fortes quedas refletiram temores persistentes sobre os rápidos avanços na inteligência artificial (IA) e seus impactos nos modelos de negócios de software de longa data. O lançamento no final de janeiro de plugins na plataforma Claude Cowork da Anthropic aumentou as preocupações de que a ferramenta de IA possa substituir softwares especializados que as empresas utilizam para tarefas corporativas. 

Em fevereiro, até o fechamento do mercado no dia 13, as ações da Totvs têm desvalorização de 14%, a maior queda mensal desde junho de 2022. 

No release de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) o CEO da Totvs, Dennis Herszkowicz, se manifestou sobre o que analistas convencionaram chamar de “a crise do software”. Em síntese, ele vê a “crise” como exagero e a IA como oportunidade.

Em uma longa mensagem, o executivo destaca que nas últimas semanas, além do debate entre otimistas e pessimistas sobre o impacto real de AI, os mercados intensificaram bastante a discussão do “Gen AI will kill software”.

O CEO comenta que, na versão mais radical, a tese é que as empresas de software serão extintas. Na versão moderada e predominante até aqui, a tese é que haverá desaceleração relevante do crescimento.

A justificativa, continua Dennis na mensagem, é que AI torna o desenvolvimento de softwares acessível a qualquer usuário, com a utilização de prompts; desta forma, os próprios clientes poderiam criar suas aplicações, ao mesmo tempo em que as barreiras de entrada para novos concorrentes diminuiriam sensivelmente. 

“Talvez seja o momento de relembrar a mensagem do 1T25, quando falamos sobre “death hoax”, que é o relato deliberado da morte de alguém, que mais tarde se revela falso. Acreditamos que a famosa e bem humorada frase de Mark Twain, ‘The report of my death was an exaggeration’, também se aplica perfeitamente nesse caso”, afirma Dennis, citando o escritor norte-americano que ironizou rumores sobre sua morte.

O executivo afirmou que os softwares não são iguais. Para ele, um ERP (Enterprise Resource Planning – software de gestão integrada que unifica áreas como contabilidade, RH, compras e vendas em uma única plataforma) é muito mais do que uma aplicação SaaS (Software como Serviço). 

O CEO ressalta ainda que os perfis de clientes atendidos pelas empresas de software não são iguais e cita que existem os large enterprises, o SMB (Pequenas e Médias Empresas) e o small. 

“De maneira geral, temos observado que: 1) quanto mais crítico e/ou complexo é um software, mais lento é o ritmo de adoção de qualquer nova tecnologia, incluindo AI; e 2) da mesma forma, o ritmo de adoção no SMB também é mais lento”, relata Dennis, explicando que os softwares de gestão são os mais críticos e complexos. 

Na sequência de sua mensagem, o executivo afirma que a Totvs é focada no SMB brasileiro e completa: “Ainda mais importante, o nível de acuracidade necessário, os riscos envolvidos no caso de erros, entre infinitos outros elementos, tornam a ideia da substituição de sistemas de Gestão – construídos por empresas que acumularam uma massa de dados especializados em centenas de milhares de empresas e em dezenas de diferentes cadeias de valor em cada segmento da economia – por apps criados por usuários que trabalham em clientes SMB (por exemplo, numa manufatura, ou num varejista), como algo bastante questionável”. 

Segundo o CEO, o cliente padrão da Totvs investe cerca de 0,2% da sua receita em softwares de gestão. “Portanto, mesmo que um dia seja tecnicamente possível essa substituição, a relação custo/benefício não parece promissora, uma vez que AI tem custo, atualmente bastante subsidiado”, avalia.

Dennis ressalta que na Totvs o pragmatismo foca a atenção em como transformar AI na “maior oportunidade” da companhia. 

A Totvs anunciou que pretende intensificar os aportes em desenvolvimento, com um incremento adicional de cerca de R$ 75 milhões por ano nos próximos quatro anos, dentro de um total estimado de aproximadamente R$ 600 milhões no período.

“Também estamos convictos que o caminho para os nossos clientes e prospects adotarem AI em larga escala é a chamada ANI (Artificial Narrow Intelligence) e não a AGI (Artificial General Intelligence)”, comenta o CEO. 

Nesse sentido, a Totvs lançou a plataforma de inteligência artificial chamada LYNN, um “foundation” de IA, que serve como infraestrutura e alicerce para o uso da inteligência artificial com precisão, desempenho, eficiência de custo e governança.

É o primeiro foundation de AI do mercado brasileiro. O executivo salienta que o LYNN garante  maior capacidade de criação, uso e gerenciamento de agentes de AI do mercado, com o melhor desempenho, precisão, custo, segurança e agnosticismo. 

“A Totvs tem uma enorme capacidade de reinvenção, ao longo de mais de 4 décadas de vida”, conclui o Dennis Herszkowicz.

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