Forte liquidez no mercado deve favorecer emissões no primeiro semestre

Publicado às 18h23
De acordo com o último relatório da Moody’s Local Brasil, o fechamento de 2025 confirma a continuidade de um movimento já observado em 2024, ainda que em menor magnitude: as saídas dos fundos multimercados (R$ 59 bilhões) permanecem relevantes, embora menos intensas do que as observadas no ano anterior, enquanto as saídas dos fundos de ações (R$ 54 bilhões) aumentaram de forma significativa. Em contrapartida, os fundos de renda fixa e os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (“FIDCs”) seguem como polos de atração, com captação líquida de R$ 84 bilhões e R$ 58 bilhões, respectivamente.
O fluxo deve seguir condicionado ao nível de juros. Caso o cenário macroeconômico apresente reversão consistente na trajetória da curva de juros, é possível que observemos uma inflexão gradual nesse comportamento, com reentrada em classes de maior risco, especialmente multimercados e ações. Contudo, enquanto a taxa básica permanecer elevada, o desenho dominante de entrada em renda fixa e saída de risco deve continuar prevalecendo.
Mercado de crédito local segue crescendo em 2025, acompanhado de expressivas captações externas
O volume de emissões em 2025 apresentou ligeiro avanço em relação a 2024, refletindo a resiliência do mercado local de renda fixa: as captações somaram R$ 738 bilhões, superando os R$ 713 bilhões do ano anterior e estabelecendo um novo recorde histórico. A distribuição entre instrumentos permaneceu bastante similar ao observado em anos anteriores, indicando ausência de mudanças estruturais no perfil de financiamento: debêntures (67%), notas comerciais (7%), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (“CRA”; 6%), Certificado de Recebíveis Imobiliários (“CRI”; 7%) e FIDCs (12%).
O mercado externo também registrou forte recuperação, com crescimento de 58% nas captações: as emissões via bonds alcançaram US$ 20,9 bilhões (desconsiderando as captações do soberano), maior volume desde 2021. Apesar da expansão, a representatividade ficou em 14% do total captado, abaixo dos 29% observados entre 2019 e 2021. Esse menor peso relativo reflete, sobretudo, o fortalecimento do mercado doméstico, que vem oferecendo profundidade, liquidez e prazos cada vez mais longos. Ainda assim, o dado mostra uma recomposição gradual da janela internacional, superando a média recente de 9% entre 2022 e 2024.
Transição tributária e ano eleitoral influenciam no movimento de emissões
Debêntures voltadas para infraestrutura e pagamento de dívidas ganharam representatividade em 2025. Ao longo do ano, essas emissões representaram cerca de 34% e 26% do total emitido, respectivamente. Como antecipado no último boletim da Moody’s Local Brasil, parte desse movimento está relacionada à MP nº 1.303/2025, que alterou a tributação dos ativos incentivados a partir de 2026, fazendo com que emissores antecipassem suas operações para garantir os benefícios do regime anterior. Como consequência, a representatividade do IPCA como indexador também aumentou, característica típica das estruturas de financiamento voltadas a projetos de infraestrutura e a prazos mais longos.
Adicionalmente, o ano eleitoral de 2026, aliado a um mercado de crédito mais receptivo e com melhores condições de precificação, estimulou emissores a antecipar iniciativas de gestão de passivos, priorizando alongamento de prazos e otimização de estrutura de capital.
Forte liquidez no mercado deve favorecer emissões no primeiro semestre
O volume de emissões corporativas manteve-se elevado em 2025, embora abaixo do patamar excepcional registrado em 2024: as captações somaram R$ 246 bilhões, nível ainda robusto quando comparado à média histórica, mas inferior aos R$ 272 bilhões observados no ano anterior. Ao longo do período, os emissores continuaram a alongar seus passivos, aproveitando o fechamento de spreads e o menor custo de captação. Apesar de uma desaceleração inicial nos primeiros meses do ano, houve uma retomada significativa entre maio e junho, além de nova aceleração após setembro.
O mercado de crédito local iniciou o ano com forte liquidez: a liberação de aproximadamente R$ 40 bilhões pelo Fundo Garantidor de Créditos (“FGC”) criou uma janela particularmente favorável para captações no início do ano. Nesse contexto, espera-se que o primeiro semestre concentre grande parte das emissões, sustentado pelo excesso de liquidez e pela demanda sólida dos investidores. Ainda assim, a Moody’s Local Braisl destaca que a principal força moderadora deve ser o afrouxamento monetário, que tende a reduzir a atratividade relativa da renda fixa e pressionar spreads ao longo do ano. O calendário eleitoral pode trazer algum grau de volatilidade, embora com impacto menor em comparação a ciclos anteriores, dado o maior tamanho e maturidade do mercado local, que hoje apresenta maior resiliência a ruídos externos.
Obs.: As pesquisas e análises elaboradas pela Moody’s Local, agência de classificação de risco doméstica presente na América Latina, não refletem as opiniões da Moody’s Ratings, agência global de classificação de risco. Ambas são entidades e unidades distintas da Moody’s Corporation. Para evitar confusões, ao citar opiniões da Moody’s Local, utilize sempre o nome completo da empresa: “Moody’s Local”.







