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Fundamentos: veja os artigos que foram destaque na semana

 

Publicado às 19h

Vale (VALE3): a avaliação do investor day da companhia [1]

A Genial Investimentos elevou o preço-alvo da Vale (VALE3) para R$ 80 e manteve a recomendação de “compra”. Em um extenso relatório, o time da Genial comentou sobre o investor day da companhia, realizado em Londres, e que reuniu executivos e analistas. A equipe da casa de análise destacou que o CEO da mineradora, Gustavo Pimenta, enfatizou que a ambição da Vale é recuperar a liderança na criação de valor em toda a mineração global. No minério de ferro, a Vale pretende oferecer a plataforma mais lucrativa e flexível do setor, apoiada pelo Programa Novo Carajás, que ajuda a elevar a produção total para a marca de 360Mt em 2030. O cobre representa um vetor de crescimento ainda mais agressivo, alcançando o dobro da produção, passando para ~700Kt até 2035, com o apoio de projetos como Bacaba (PA) e uma trajetória renovada de licenciamento para Alemão (PA).

Já o BTG Pactual ressalta que o Vale Day apresentou guidance atualizado para 2026, amplamente em linha com expectativas, reforçando um operacional mais simples, previsível e focado em retorno de caixa.

Para seus analistas, a mineradora segue com cenário construtivo para o minério de ferro, prevendo crescimento de demanda global, altas taxas de exaustão e efeitos limitados de Simandou em 2026, sustentando preço estrutural próximo de US$ 100/t, acima do consenso. Na divisão de minério, a Vale mantém foco em flexibilidade, segmentação e otimização do portfólio. Em cobre, anunciou meta de 700 mil toneladas em 2035, com crescimento vindo de Sossego/Bacaba, Salobo e hubs Norte/Sul, além de nova joint venture com a Glencore no Canadá. Em níquel, após anos difíceis, busca “breakeven” de caixa em 2027, já reduzindo custos e priorizando valor sobre volume.

A avaliação da equipe do BTG é que a tese combina superação de desafios legados, fundamentos fortes de minério e geração de caixa 10% a 12% em 2026, negociando a 4x EV/Ebitda, com dividend yields (rendimento do dividendo) “potencialmente elevados”. O banco reiterou a recomendação de “compra”, destacando vantagem sobre pares australianos e valuation descontado.

RD Saúde (RADL3): a avaliação do investor day da companhia [2]

O BTG destacou que a RD Saúde (RADL3) apresentou seu plano estratégico baseado em três pilares: expansão multicanal com abertura de 330 a 350 lojas em 2026; fortalecimento das categorias de saúde, com destaque para marcas próprias e medicamentos isentos de prescrição (MIP); e aumento do “lifetime value” dos clientes via tecnologia e experiência integrada.

Para o banco os resultados recentes superaram expectativas e reforçaram a visão da Raia Drogasil como uma tese segura de retornos compostos, sustentada por forte execução. Para o time de analistas, a companhia enfrenta competição estrutural em higiene pessoal e cosméticos, mas o cenário parece mais equilibrado.

O BTG tem classificação de “compra” com preço-alvo de R$ 24.

Em um relatório o time de analistas da XP também comenta sobre o evento investor day da RD Saúde. A avaliação é que a companhia deve manter um ritmo sólido de expansão, e que há espaço relevante para avançar na penetração de marcas próprias.

“De modo geral, sentimos os executivos bastante confiantes com as oportunidades de curto e médio prazo tanto em crescimento quanto em rentabilidade”, afirmam seus analistas no relatório.

Vale lembrar que o conselho de administração da RD Saúde aprovou a distribuição de dividendo e juros sobre o capital (JCP). A informação foi divulgada na segunda-feira, 1° de dezembro. Os JCP são no montante total bruto de R$ 145,4 milhões, para pagamento no dia 29/05/2026. O valor bruto a ser pago por ação é de R$ 0,08 e não sofrerá atualização monetária. O benefício aplica-se à posição acionária do dia 05/12/2025.

A distribuição de dividendos intercalares é no montante total de R$ 130 milhões, para pagamento até o dia 29/12/2025. O valor bruto a ser pago por ação é de R$ 0,07. O benefício aplica-se à posição acionária do dia 05/12/2025.

A avaliação do Banco ABC (ABCB4) [3]

Em um relatório o time de analistas do BTG Pactual comenta sobre a reunião com o CFO do Banco ABC (ABCB4), Sergio Borejo.

Segundo o time do BTG, o banco relatou que o fim do ano passado trouxe um ambiente mais desafiador, marcado por spreads comprimidos e bases mais difíceis, mas confirmou recuperação gradual com ROE (Return on Equity – Retorno sobre Patrimônio) chegando a 15,5% no terceiro trimestre de 2025 (3T25) e expectativa acima de 16% para o quarto trimestre (4T25).

A projeção é que o Banco ABC pode superar R$ 1 bilhão de lucro líquido neste ano. Com expectativa de flexibilização monetária, o custo de risco tende a permanecer sob controle, enquanto spreads e novas iniciativas fortalecem a margem financeira, explica o time do BTG.

A diversificação construída nas últimas décadas foi essencial para sustentar ROEs acima de 10% a 14% mesmo após mudanças estruturais, salienta.

A avaliação é que a instituição financeira ampliou seu portfólio para derivativos, seguros, DCM, cash management e energia, mitigando a dependência do crédito corporativo.

O banco ainda vê espaço para novas fontes de receita, especialmente em cash management, consórcios e soluções especiais ligadas a ativos agrícolas em recuperação judicial, comenta a equipe.

Para o time do BTG, o potencial de alta diminuiu após a valorização recente de 15%, mas a expectativa de juros menores, spreads mais altos e escala de novas iniciativas deve sustentar alta adicional.

O BTG destaca ainda que o principal risco de curto prazo segue sendo macroeconômico: Selic alta por mais tempo poderia elevar custo de risco e limitar crescimento. Ainda assim, foi mantida a recomendação de “compra” pela resiliência e qualidade do Banco ABC. O preço-alvo é R$ 27.

Ambev (ABEV3): chance de dividendo extraordinário? [4]

Em um relatório, o BTG destaca que mudanças recentes na tributação no Brasil elevaram a alíquota efetiva de imposto de renda da Ambev (ABEV3), que saiu de cerca de 4% em média nos cinco anos anteriores para 24% em 2023, após limitações ao uso de juros sobre o capital (JCP) e subvenções fiscais.

A avaliação da equipe de analistas do banco é que esse novo cenário torna a estrutura de capital mais ineficiente, já que maior alavancagem poderia gerar benefício fiscal relevante mesmo em ambiente de juros elevados.

Também ressalta que a aprovação de taxação de dividendos de 10% a partir de 2026 adiciona pressão para que a empresa acelere decisões sobre payout (porcentagem do lucro líquido de uma empresa que é distribuída aos acionistas), já que os dividendos declarados em 2025, com base em lucros acumulados, ainda podem ser pagos entre 2026 e 2028 sem incidência do novo imposto.

Segundo a equipe do BTG, em um exercício simplificado, considera-se Ambev encerrando o ano com posição líquida de Caixa equivalente a 0,7x Ebitda e elevando a alavancagem para 0,5x Dívida Líquida/Ebitda, o que permitiria um dividendo extraordinário de aproximadamente R$ 34 bilhões, abaixo de reservas e lucros acumulados de R$ 43 bilhões.

Para o banco, no caso de Ambev, a leitura é que há poucas alternativas de reinvestimento com retorno acima do custo de capital, o que explica a percepção positiva do mercado sobre a possibilidade de dividendo extraordinário.

Depois do forte desempenho das ações após o terceiro trimestre (3T25), o desconto de valuation em relação a pares diminuiu. A simples perspectiva de uma estrutura de capital mais eficiente justificaria alguma valorização, mas a recomendação permanece “neutra” até haver maior clareza sobre uma mudança realmente transformacional na política de distribuição de capital, afirma a equipe do BTG em relatório. O preço-alvo é de R$ 15.

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