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Tensões globais e o seu bolso: os impactos do conflito entre EUA e Irã nos investimentos

Publicado às 15h

O cenário geopolítico global sofreu uma nova reviravolta com o fim do frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã. Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o mercado financeiro ainda não absorveu totalmente a magnitude do conflito. “A guerra voltou. Na verdade, ela nunca acabou. Esse cessar-fogo foi para ‘inglês ver’”, afirma. Segundo ele, o movimento serviu apenas para que as forças se reorganizassem nos bastidores.

Abaixo, confira os principais impactos mapeados pelo economista para o investidor proteger e rentabilizar o patrimônio neste novo contexto macroeconômico global.

O fantasma da inflação e a pressão nos juros

O reflexo imediato da retomada das hostilidades foi a disparada de 5% no preço do petróleo. Mendlowicz sinaliza que o avanço da commodity gera um efeito em cascata inevitável na inflação global, frustrando as expectativas de alívio econômico. “Com o retorno da guerra, horizonte incerto e o petróleo voltando para o patamar dos US$ 80, esquece: a inflação seguirá elevada no mundo”, projeta.

Com os preços pressionados, os bancos centrais devem estender o ciclo de juros altos. No front doméstico, o economista vislumbra um cenário complexo. “Imagine se a Selic no Brasil continuar acima de 14% por muitos meses, e acredito que deva continuar. Será um recorde de recuperações judiciais, as empresas não estão aguentando”, alerta, citando a inadimplência familiar e a crise no agronegócio.

Nos Estados Unidos, o juro alto já se reflete no acúmulo de estoques imobiliários. Além disso, a conjuntura econômica deve chacoalhar a política americana nas eleições legislativas, reduzindo a popularidade de Donald Trump e fortalecendo democratas.

Renda variável estacionada e o refúgio nos Títulos Públicos

Diante de um cenário de juros e inflação nas alturas, Mendlowicz avalia que a bolsa de valores brasileira e os fundos imobiliários devem continuar enfrentando um mercado de baixa no curto prazo. “Como é que o Ibovespa vai ganhar fôlego se você olha para o Tesouro IPCA e tem IPCA+ 8%? Como vai subir se você consegue investir em um título público acima de 14%, que é o menor risco do país, e ir para a praia?”, questiona. Um rali na bolsa, segundo ele, dependeria exclusivamente de uma reviravolta política local.

Nesse ambiente, o Tesouro Direto desponta como uma forte oportunidade de rendimento, embora o endividamento público crescente acenda um sinal de alerta para o longo prazo. “O perigo é que o Brasil está se endividando de uma forma irresponsável, mas não deixa de ser uma oportunidade. Ano que vem o governo será pressionado pelo mercado para fazer um ajuste fiscal”, pondera.

Criptoativos em queda e o esgotamento da euforia com IA

A aversão ao risco também atingiu os criptoativos. O Bitcoin, que vinha ensaiando uma trajetória de recuperação, sofreu realização de lucros com o recrudescimento da guerra. “Quanto maior o juro, menor o apetite por risco. Quando a guerra voltou, muitos decidiram ir para os títulos públicos contando que juro terá que subir”, explica o economista.

Por fim, Mendlowicz adverte sobre a necessidade de cautela com as big techs ligadas à inteligência artificial (IA). O economista aponta que o mercado começou a questionar o retorno financeiro real diante de investimentos bilionários. “Por enquanto essa bolha está inflando, mas eu acho que estamos próximos de alguma ruptura. A eficiência da IA está sendo questionada”, avalia. Ele sugere que os investidores aproveitem os lucros recentes na bolsa americana para reduzir a exposição ao setor antes de uma eventual correção. “A música está tocando, está todo mundo animado, mas uma hora vai parar”, conclui.

Importante:

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