Publicado às 8h53
Em um fato relevante enviado ao mercado nesta quarta-feira, 8, a Natura (NATU3) divulgou, em caráter excepcional, determinadas informações preliminares relativas ao desempenho financeiro da companhia no 2º trimestre de 2026 (2T26).
A companhia destaca que o ambiente de consumo desaquecido no Brasil, somado a desafios e ajustes operacionais internos, pressionou a receita líquida do segundo trimestre de 2026 no país em uma magnitude maior do que a inicialmente prevista, decorrente principalmente de severa escassez de produtos em meio à estabilização do novo sistema de Planejamento Integrado, atualização do sistema SAP e relocação de volumes da recém-fechada fábrica de Interlagos. A escassez de produtos, somada a um cenário macroeconômico desafiador, levou a uma queda importante de volume no canal de venda por relações. Essa queda traduziu-se em redução anual na atividade e produtividade das consultoras, insuficientemente compensada pela recuperação do canal observada na comparação trimestral.
A Natura cita também outros fatores. A implementação de políticas de preços e regras comerciais entre canais, fundamental para viabilizar nova onda de crescimento dos canais D2C, levou a uma desaceleração de curto prazo no canal online; e a transição de 100% dos contratos de franquia para um novo modelo que alinha os interesses do franqueado e do franqueador com base nas vendas sell-out. Essa transição levou a uma redução momentânea de estoques nas lojas franqueadas e consequente desaceleração nas vendas para as franquias (sell-in). E o descasamento temporário de tributos, com efeito concentrado no 2T-26, decorrente de mudanças no imposto sobre consumo no estado de São Paulo (ICMSST).
A combinação de todos esses fatores pressionou a receita líquida no Brasil em magnitude que não pôde ser compensada pelo crescimento anual positivo em moeda constante em todos os mercados da região Hispânica, onde houve mais um trimestre de avanço consistente, explica a Natura.
“No geral, com base nas informações gerenciais disponíveis até esta data, as quais permanecem sujeitas a revisão contínua e procedimentos de fechamento, a companhia estima que a receita líquida consolidada fique entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões, implicando uma redução anual entre 9% e 10%”, afirmou a Natura no fato relevante.
Quanto à rentabilidade, no entanto, espera-se uma expansão trimestral (T/T) na margem Ebitda reportada, em função de menores despesas sequenciais com rescisões e captura de eficiências do novo modelo operacional. “Essa melhoria está alinhada com as expectativas divulgadas no resultado do 1T-26, e compensa parcialmente o impacto negativo da desalavancagem operacional”, ressalta a companhia.
A Natura ressaltou ainda que a administração tem executado iniciativas para impulsionar o desempenho da receita no Brasil. A companhia cita a reconfigurações na cadeia de abastecimento (supply chain) envolvendo ativos produtivos, fornecedores, fluxos de materiais e sistemas, cujos benefícios têm potencial para ganhos no curto prazo; ajustes nos incentivos da força de vendas, conforme descrito na divulgação de resultados do 1T-26, combinados com comunicação e ofertas mais regionalizadas e focadas em categorias de alto giro para impulsionar o desempenho do canal de venda por relações; novos formatos de vendas digitais, incluindo a expansão para novos marketplaces e a aceleração da nova loja digital das consultoras; e a retomada do ritmo acelerado de abertura de lojas, com novas franquias já sob o novo modelo de contrato.
A companhia esclarece que as informações divulgadas são preliminares, não auditadas e sujeitas a revisão, ajustes e acréscimos no âmbito dos procedimentos regulares de fechamento contábil e revisão de informações financeiras trimestrais. As informações completas referentes ao segundo trimestre de 2026 serão divulgadas no dia 10 de agosto, conforme previsto no calendário de eventos corporativos da companhia.
