
Publicado às 14h08
Uma transformação contínua no segmento de minerais críticos está remodelando as cadeias globais de abastecimento, elevando sua importância estratégica além da dinâmica tradicional de commodities e reforçando o papel da América Latina como produtora-chave. De acordo com relatório da Moody’s, a América Latina tem recursos consideráveis e jurisdições relativamente estáveis, mas os riscos regulatórios e de execução afetam a qualidade do crédito para empresas que buscam projetos de minerais críticos. O processamento downstream está emergindo, particularmente, como uma oportunidade para aumentar as margens e a qualidade do perfil de crédito, mas os gargalos estruturais e os riscos ambientais e sociais continuam a impor obstáculos significativos na região.
Os minerais críticos estão se consolidando como ativos estratégicos que sustentam a transição energética, a política industrial e as aplicações de defesa. A transição energética e o advento da inteligência artificial (IA) e dos data centers estão tornando a segurança do abastecimento, alinhamento geopolítico e autonomia estratégica muito mais importantes para as cadeias de abastecimento de minerais críticos. A mudança aumenta a importância da América Latina como produtora, mas seu cenário competitivo varia de acordo com custo, integração e alinhamento estratégico, com obstáculos muito maiores para fornecedores mais novos e de menor porte.
A América Latina apresenta certas vantagens estratégicas globais no mercado de minerais críticos. As cadeias globais de abastecimento de minerais críticos muito concentradas criam vulnerabilidades estratégicas para governos e corporações, que estão investindo em fontes de abastecimento diversificadas, mesmo com custos mais altos. Para a Moody’s, a região apresenta vantagens geológicas significativas, custos competitivos aliados a infraestrutura consolidada e experiência operacional e mão de obra qualificada, além de risco geopolítico relativamente baixo. Os governos estão começando a adotar políticas destinadas a fortalecer as cadeias de abastecimento de minerais críticos e atrair investimentos.
Gargalos estruturais, complexidade técnica e riscos macroeconômicos e regulatórios dificultam o mercado de minerais críticos da América Latina, destaca o relatório. A China tem a vantagem de décadas de investimento e experiência em cadeias de abastecimento totalmente integradas, capacidade de processamento em grande escala, mão de obra qualificada e forte coordenação entre empresas e governo. Os novos participantes na América Latina não conseguem replicar esse ecossistema rapidamente. Chile, Argentina, Brasil e Peru apresentam, cada um, vantagens e desvantagens competitivas próprias.
A matriz energética relativamente limpa do Brasil e o alinhamento com padrões ambientais de economias avançadas conferem vantagens competitivas ao processamento de minerais críticos. No entanto, a elevada intensidade de capital, as lacunas tecnológicas e a dependência de parcerias com processadores estabelecidos na Ásia e em economias avançadas representam entraves relevantes, avalia a Moody’s.
Obstáculos estruturais persistentes tornam as condições mais complexas para os projetos downstream da América Latina do que para a mineração upstream. A incerteza regulatória e de políticas públicas continua sendo um risco central, ameaçando atrasos mesmo para projetos que, de outra forma, seriam atrativos, e os resultados de crédito dependem da estabilidade jurisdicional, da execução dos projetos e do acesso a contratos e financiamento de longo prazo. Riscos técnicos e de execução também são considerações importantes para os investidores, juntamente com considerações ambientais e sociais e riscos de preços. Projetos com contratos de offtake de longo prazo, baixos custos e balanços sólidos conseguem resistir mais facilmente aos ciclos de mercado, ressalta a Moody’s.