
Publicado às 11h45
Os preços elevados das commodities e um desempenho operacional robusto nem sempre se traduzem em melhora da qualidade de crédito das empresas nacionais de petróleo da América Latina, de acordo com a Moody’s. Empresas com balanços patrimoniais mais robustos e fontes de receita diversificadas tendem a absorver, com maior facilidade, choques relacionados a políticas e atrasos em pagamentos soberanos destinados à compensação de subsídios, em comparação àquelas com baixa liquidez, destaca a agência em relatório.
Os preços mais elevados do petróleo beneficiam imediatamente a Petrobras em seu segmento de exploração e produção (E&P), permitindo que a empresa eventualmente repasse preços mais altos no segmento downstream. As novas medidas do governo brasileiro para mitigar a inflação devem limitar os ganhos obtidos pela Petrobras com o aumento dos preços do petróleo e dos combustíveis. Ainda assim, a gestão de carteira e as fortes margens na produção de petróleo da empresa compensam grande parte do risco associado à volatilidade dos preços dos combustíveis.
A Moody’s calcula que o fluxo de caixa operacional da Petrobras aumenta em USD 5 bilhões a cada elevação de USD 10 por barril (bbl) no preço do Brent – a referência internacional do petróleo bruto. Seu fluxo de caixa operacional também aumenta em USD 1.9 bilhão para cada elevação de USD 10 por litro nos preços do diesel, e em USD 1.0 bilhão para cada aumento de USD10 por litro nos preços da gasolina.
O governo brasileiro também busca reduzir os efeitos inflacionários da alta dos preços do petróleo, subsidiando o diesel em BRL 1.12 por litro (USD 0.21) e a gasolina em BRL 0.44 por litro, e aplicando um imposto temporário de 12% sobre as exportações de petróleo bruto.
Ambas as medidas limitarão os benefícios do aumento dos preços do petróleo para a Petrobras. A empresa terá que pagar o imposto adicional sobre as exportações de petróleo bruto, e o subsídio do diesel reduzirá efetivamente o preço de paridade de importação por meio do qual a Petrobras define seus próprios preços de combustível, avalia a agência.
A companhia enfrenta um risco de intervenção política, uma vez que atrasou o repasse do aumento dos preços dos combustíveis aos clientes, ressalta o relatório. Depois que a Petrobras anunciou aumentos de preços, a Moody’s estima que os preços da gasolina e do diesel no Brasil estejam em paridade, considerando a faixa de preços da política da Petrobras. Como a Petrobras busca alcançar a paridade em média anual, a empresa provavelmente terá de promover aumentos graduais de preços em 2026, caso os subsídios sejam retirados. Após ter reduzido seus negócios de downstream nos últimos anos, a Petrobras precisa de alguma correlação entre os preços nacionais e internacionais dos combustíveis para evitar oportunidades de comercialização que criem mais desequilíbrios domésticos.
Embora a incerteza em torno da política de preços de combustíveis represente um risco para as margens de refino da Petrobras, a gestão ativa da carteira e a robustez das margens no segmento upstream atenuam a exposição à volatilidade dos preços dos combustíveis.
Nos últimos anos, a Petrobras reduziu sua capacidade de refino em cerca de 20% – que atualmente representa apenas uma pequena parcela de seu Ebitda total –, do qual aproximadamente três quartos foram gerados pelas atividades de E&P no fim de 2025.
Os indicadores de crédito da Petrobras permanecem sólidos, com uma dívida total de cerca de USD 74 bilhões, incluindo nossos ajustes-padrão, além de USD 9 bilhões em caixa e USD 7 bilhões em linhas de crédito rotativas, em dezembro de 2025. Considerando um preço médio do Brent entre USD 60 e USD 75/bbl em 2026-2027, a relação dívida/Ebitda da Petrobras deve permanecer na faixa de 1.5x a 2.0x até meados ou fim de 2027, mesmo que a empresa absorva parte das perdas no segmento de refino.