- Finance News - https://financenews.com.br -

Para Safra, fundamentos das construtoras seguem sólidos

Publicado às 14h03

O Banco Safra destaca que o setor de construção residencial vive um momento de forte divergência entre preços de mercado e fundamentos. Após anos de desempenho superior, impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida, as ações das construtoras recuaram entre 30% e 35% desde os picos recentes.

A piora do sentimento ocorreu em meio à reprecificação de riscos globais, reacendendo preocupações inflacionárias.

Mesmo assim, o time de analistas do banco avalia que os fundamentos do setor permanecem praticamente inalterados com o Minha Casa Minha Vida sendo uma importante fonte de retorno.  O programa apresenta menor sensibilidade aos juros e níveis recordes de acessibilidade, o que favorece repasses de preços mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador.

O aumento do endividamento das famílias e a leve alta da inadimplência inicial exigem atenção, mas os indicadores de crédito seguem saudáveis diante de um mercado endereçável ainda amplo, avalia o Safra.

A Direcional (DIRR3) aparece como a principal preferência do Safra no setor. A equipe do banco observa que a companhia tem menor exposição a choques inflacionários, sustentada por um mix de receitas mais concentrado em estoques prontos e por economias de custos ainda a capturar.

O Safra projeta múltiplo preço sobre lucro ajustado de 5,4 vezes para 2027 e dividend yield (rendimento do dividendo) estimado em 13%, níveis considerados atrativos frente ao risco.

A Cury (CURY3) apresenta maior exposição a custos, mas conta com proteção relevante por meio de uma carteira de recebíveis indexada à inflação, que cobre cerca de 75% dos custos do backlog. Esse fator pode ser compensado por crescimento de receitas e diluição de despesas administrativas. 

Com relação à Tenda (TEND3), a avaliação é que o segmento principal da companhia mostra maior capacidade de lidar com inflação, devido ao ciclo de construção mais curto e maior nível de provisões. Segundo o banco, a ação negocia a 4,7 vezes o lucro projetado para 2027, com desconto relevante frente às principais concorrentes.

O Safra mantém uma visão mais cautelosa para a Plano e Plano (PLPL3). As estimativas de lucro foram reduzidas em 31% para 2026 e 2027, refletindo vendas mais fracas e pressão sobre margens.

Com relação à MRV (MRVE3), apesar da melhora operacional, a alavancagem ainda representa o principal fator de risco. Custos mais elevados podem pressionar margens, enquanto o processo de desalavancagem da Resia tende a ser mais longo, com risco de novos ajustes contábeis, ressalta a instituição financeira. O desconto em valuation não é considerado suficiente para justificar uma visão mais construtiva, avalia o time do banco. 

Siga o canal no Whatsapp de notícias de empresas: entre aqui   [1]

Importante:

O Finance News não faz recomendação de compra ou venda de ativos. O texto acima tem por objetivo informar. O preço-alvo é uma projeção baseada em uma metodologia e varia dependendo da instituição financeira. Procure profissionais especializados e certificados para tomar qualquer decisão sobre investimentos. Para mais detalhes acesse o site da Comissão de Valores Mobiliários [2].