
Publicado às 12h05
São Paulo, 6 de maio de 2026 – Diversos soberanos de grandes mercados emergentes absorveram uma sequência de choques globais relevantes nos últimos cinco anos sem registrar aumentos expressivos dos prêmios de risco nem perda de acesso aos mercados, de acordo com relatório da Moody’s. Isso reflete melhorias duradouras nos arcabouços de políticas e no acúmulo de colchões, bem como condições externas particularmente favoráveis.
Os arcabouços de política monetária mais críveis, incluindo regimes de metas de inflação, ajudaram a ancorar as expectativas e a estabilizar os fluxos cambiais durante períodos de volatilidade global. No Brasil e no México, arcabouços bem estabelecidos permitiram que os bancos centrais reduzissem as taxas de juros de forma agressiva em 2020, sem provocar saídas de capital. Esses arcabouços também permitiram, posteriormente, um aperto monetário firme diante da aceleração da inflação, limitando os efeitos de segunda ordem e preservando a confiança externa. A adoção do regime de metas de inflação pela Índia em 2016 também reforçou a resiliência do país diante de choques inflacionários no período de 2020 a 2025.
O aumento da flexibilidade cambial também permitiu absorver choques por meio dos movimentos cambiais, em vez de recorrer à redução de reservas ou a um aperto abrupto da política monetária. África do Sul, Brasil e Indonésia permitiram que suas moedas se ajustassem tanto durante a pandemia de Covid-19 quanto no contexto das tensões tarifárias, o que contribuiu para preservar o espaço de política. Essa abordagem, no entanto, pode gerar volatilidade significativa no curto prazo — o rand sul-africano e o real brasileiro se depreciaram acentuadamente em 2020 —, embora contribua para a estabilidade no médio prazo.
Brasil, África do Sul e Malásia apresentam uma resiliência que depende mais de condições específicas. No Brasil, um aperto monetário decisivo restabeleceu o controle da inflação e sustentou a confiança, mas os elevados custos de juros e pressões fiscais ainda não resolvidas limitam o espaço disponível para absorver futuros choques globais sem o risco de nova volatilidade. As reações dos mercados podem se estabilizar, mas a durabilidade dessa estabilidade depende do avanço no controle dos déficits e dos custos do serviço da dívida.