
Publicado às 12h30
Enquanto o governo projeta medidas para impulsionar a economia em 2026, o mercado monitora o impacto nos juros e na inflação, refletindo o descompasso entre indicadores macro e a percepção de bem-estar da população
O cenário econômico brasileiro apresenta uma dicotomia que desafia analistas: de um lado, indicadores de crescimento que superam projeções iniciais; de outro, uma deterioração na percepção popular e um ceticismo crescente do mercado financeiro. No centro dessa tensão está o planejamento fiscal para 2026, que já soma R$ 403,2 bilhões em medidas de estímulo, variando de isenções de Imposto de Renda a subsídios de crédito.
Para o economista Charles Mendlowicz, fundador do canal Economista Sincero e sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, o volume desses recursos levanta um alerta sobre a sustentabilidade do modelo. “O governo já reúne R$ 403,2 bilhões em medidas para 2026. E sim, no curto prazo, funciona. Mais renda e mais crédito fazem a economia girar, aliviam o orçamento das famílias e dão fôlego para a atividade”, explica Mendlowicz. Contudo, ele pondera que esse mecanismo é comum em ambientes eleitorais e carrega riscos intrínsecos de longo prazo.
A estratégia de injeção de liquidez na economia visa gerar um efeito imediato no consumo das famílias. No entanto, o mercado financeiro reage a esses movimentos projetando o custo do endividamento público. “Existe um ponto mais importante que o volume: a confiança. Quando o mercado começa a duvidar da capacidade de bancar esse gasto sem pressionar ainda mais as contas públicas, os juros sobem, o risco aumenta e o alívio de agora pode virar preocupação lá na frente”, afirma o economista.
Inflação e o cotidiano
A dinâmica apresentada por Mendlowicz explica por que, mesmo com estímulos, a percepção de bem-estar pode não acompanhar os números oficiais do PIB. Quando a curva de juros futuros se inclina devido ao risco fiscal, o custo do crédito para o consumidor final e para o setor produtivo aumenta, anulando parte dos benefícios dos programas de transferência de renda.
“Essa realidade gera uma frustração com as narrativas oficiais, pois o cara liga a TV e ouve que o governo melhorou muito, mas quando sai de casa encontra gasolina a R$ 7,20, paga R$ 40 em um lanche com café. A realidade das prateleiras acaba se sobrepondo aos indicadores macroeconômicos”, avalia o Economista Sincero.
Outro fator de desgaste é a inflação percebida, que muitas vezes diverge dos índices oficiais como o IPCA. Mendlowicz aponta que o aumento de impostos e taxas (que segundo o economista já somariam 27 intervenções neste mandato) atua como um limitador do poder de compra.
“No papel, é estímulo. Na prática, pode virar um teste de credibilidade. No fim, não é só sobre gastar mais. É sobre até onde dá para ir sem perder o controle fiscal”, resume Mendlowicz.
Perspectivas para 2026
A sustentabilidade dessa estratégia será testada nos próximos meses. O desafio do governo será equilibrar a manutenção desses estímulos sem disparar as expectativas de inflação para os anos seguintes. “O alívio de agora pode virar preocupação lá na frente”, reforça Charles, indicando que o mercado estará atento a qualquer sinal de descontrole nas contas públicas que possa forçar o Banco Central a manter a taxa Selic em patamares restritivos por mais tempo.
O cenário sugere que o sucesso ou fracasso das medidas de 2026 não dependerá apenas do volume de capital injetado, mas da capacidade do país em manter as âncoras fiscais e a confiança dos agentes econômicos.
Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.
Importante:
O Finance News não faz recomendação de compra ou venda de ativos. O texto acima tem por objetivo informar.