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Duração da instabilidade e disrupção energética determinarão os efeitos de crédito do conflito com Irã

 

 

Publicado às 10h22

Os ataques conjuntos dos EUA e Israel e a subsequente retaliação do Irã no fim de semana aumentaram drasticamente o risco geopolítico e elevaram os preços da energia, de acordo com relatório da Moody’s. O assassinato sem precedentes do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e os pedidos dos EUA por uma mudança de regime inserem uma incerteza maior sobre como o conflito pode evoluir e quanto tempo a instabilidade pode durar.

Embora a infraestrutura central de energia não tenha sido um alvo direto, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz quase parou à medida que as seguradoras retiram a cobertura de seguros e as operadoras evitam a área enquanto as hostilidades continuam. Vários portos em todo o Oriente Médio também suspenderam as operações depois que o Irã atacou a infraestrutura na região. Partes significativas do espaço aéreo na região estão fechadas ou severamente restringidas.

A perspectiva geral de crédito depende principalmente de se qualquer disrupção no Estreito de Ormuz será de curto prazo e se acordos alternativos podem preservar a disponibilidade de energia. No curto prazo, a existência de petróleo armazenado fora do Golfo, inclusive em navios-tanque offshore que navegaram antes dos ataques, fornece um colchão semelhante ao usado após o ataque de 2019 às instalações petrolíferas sauditas, o que ajudou a evitar perdas das exportações significativas na época. O aumento planejado da produção de 206.000 barris por dia da OPEP+ a partir de abril oferece um mitigador adicional, porém limitado.

O cenário de referência da Moody’s é que o conflito dure relativamente pouco, provavelmente algumas semanas, e que a navegação pelo Estreito de Ormuz seja retomada em grande escala. “É improvável que esse cenário resulte em um impacto significativo sobre o perfil de crédito dos emissores que avaliamos”, afirma a Moody’s.

No entanto, qualquer disrupção prolongada no Estreito de Ormuz levaria a um aumento sustentado dos preços do petróleo, aprofundaria a aversão ao risco global e provavelmente geraria um aumento da pressão de spread de crédito nos mercados high-yield. Esse cenário aumentaria os riscos de refinanciamento para emissores com vencimentos de curto prazo, particularmente em indústrias cíclicas e intensivas em energia que já enfrentam custos altos dos insumos. Isso também complicaria a trajetória das taxas de juros e a tomada de decisões dos bancos centrais.

Além do impacto direto nos fluxos de energia, uma transição política desordenada no Irã — seja por meio de colapso institucional, vácuo de poder ou guerra civil — aumentaria a incerteza sobre a trajetória de qualquer conflito regional e o manejo dos ativos militares e do estoque de urânio enriquecido do Irã. Essa dinâmica manterá a aversão ao risco em patamares altos, mesmo que a disrupção física nos fluxos de energia acabe sendo de curta duração.