
Publicado às 18h
São Paulo, 5 de março de 2026 – O conflito no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro de 2026, resultou na paralisação do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma vez que os navios evitam essa importante via navegável pela qual cerca de 20% do suprimento global de petróleo é transportado anualmente. Consequentemente, as taxas médias à vista para superpetroleiros (VLCCs, em inglês) saltaram para máximas históricas, acima de USD350.000/dia, de cerca de USD200.000/dia em 27 de fevereiro. Essas taxas são teóricas, porque poucas reservas de petroleiros foram reportadas nos últimos dias.
O cenário de referência da Moody’s é que o conflito seja relativamente de curto prazo, provavelmente de algumas semanas, e que a navegação pelo Estreito de Ormuz seja retomada em grande escala. Nesse cenário, os estoques mantidos pelos principais importadores de petróleo e derivados mitigarão um curto período de baixa ou de nenhuma oferta nova. Isso provavelmente significaria que as taxas dos petroleiros voltariam à normalidade com relativa rapidez.
No entanto, se o conflito interromper o transporte marítimo por um longo período, a Moody’s espera que as taxas altas atuais de navios-tanque prevaleçam, impulsionando os ganhos das companhias marítimas com grandes operações de petroleiros. A Moody’s acredita que as taxas elevadas mais do que compensarão a redução da demanda resultante de qualquer desaceleração econômica causada pelo conflito. As companhias marítimas que se beneficiariam incluem a Mitsui O.S.K. Lines, Ltd., Nippon Yusen Kabushiki Kaisha e Stena AB. As empresas de fretamento como a Navios Maritime Partners L.P. também se beneficiariam do aumento das taxas de frete.
A Moody’s espera que todas as partes envolvidas priorizem uma rápida desescalada tendo em vista a importância central do Golfo Pérsico para a economia global e a viabilidade limitada de exportar petróleo por rotas alternativas às marítimas. No entanto, mesmo que isso aconteça, ainda existe um risco significativo de que uma situação semelhante à do Mar Vermelho — outra importante rota marítima —, se desenvolva no Estreito de Ormuz. O transporte marítimo pelo Mar Vermelho caiu mais da metade no final de 2023, após um ataque a navios comerciais no local. O tráfego ainda não se normalizou, destacando a cautela das companhias marítimas sobre o retorno total à rota, que desde então tem sido sujeita a ataques esporádicos. O mais recente ocorreu no final do ano passado, de acordo com a empresa de dados de transporte Clarksons. Uma ameaça ainda mais grave para o Estreito de Ormuz é a possibilidade de um ataque direto a um petroleiro resultar em um grande derramamento de óleo — com risco de envolver cerca de dois milhões de barris de petróleo bruto. Isso tornaria o estreito temporariamente inavegável ou levaria a uma redução acentuada e prolongada dos volumes de tráfego, dependendo da gravidade do vazamento.
Desde o início do conflito, muitas companhias marítimas instruíram seus navios dentro do Golfo Pérsico e com destino a ele, a se protegerem imediatamente. Em 2 de março, cerca de 3.200 embarcações estavam situadas dentro do Golfo, enquanto outras 500 esperavam do lado de fora, mostram os dados da Clarksons. Os navios de petróleo bruto são o segmento de transporte marítimo mais exposto. A Clarksons estima que 6% da capacidade global está ancorada dentro do Golfo e outros 2% fora. Até agora, nove navios-tanque foram atingidos por mísseis ou drones , dos quais um, o Stena Imperative, pertence ao conglomerado sueco Stena. Cerca de 35% das exportações globais de petróleo bruto, equivalentes a 20% da oferta global de petróleo, são enviados pelo estreito anualmente.