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Preços globais do petróleo permanecem praticamente inalterados com operação dos EUA na Venezuela

Publicado às 18h55

A captura do líder de longa data da Venezuela, Nicolás Maduro, terá apenas um efeito limitado nos preços globais de petróleo em 2026 porque não mudará materialmente a oferta da commodity, de acordo com o último relatório da Moody’s. No longo prazo, esse evento pode facilitar a reentrada de empresas petrolíferas norte-americanas e internacionais na Venezuela, que possui algumas das maiores reservas de petróleo pesado subdesenvolvidas do mundo. No entanto, a magnitude do investimento e o prazo necessários para aumentar significativamente a produção do país tornarão improvável até mesmo um impacto de médio prazo nos preços globais do petróleo.

A administração Trump supervisionou, em 3 de janeiro de 2026, uma operação que resultou na captura de Maduro. O impacto imediato desse desdobramento geopolítico nos mercados globais de petróleo permanece pequeno. A Venezuela exportou cerca de 950.000 barris por dia (bpd) em novembro de 2025, o que representa menos de 1% da oferta global. Os volumes de exportação caíram para cerca de 500.000 bpd em dezembro, após bloqueios parciais de embarques e apreensões de navios-tanque nos EUA. Mesmo que a produção retornasse rapidamente à capacidade nacional estimada de 1.1 milhão de bpd, isso só aumentaria o superávit predominante no mercado global de petróleo até 2027.

No curto prazo, qualquer petróleo venezuelano adicional que chegar aos EUA expandirá os diferenciais nos preços de petróleo pesado, beneficiando moderadamente as refinarias da Costa do Golfo dos EUA que estão particularmente equipadas para lidar com petróleo pesado, incluindo Valero Energy, Marathon Petroleum e CITGO Petroleum. No entanto, diferenciais mais amplos para o petróleo pesado pressionariam moderadamente os produtores canadenses, como a Canadian Natural Resources.

Se levar a uma eventual abertura da indústria petrolífera da Venezuela, o evento beneficiará mais facilmente os produtores dos EUA com envolvimento atual ou passado no país, como Chevron, ConocoPhillips e ExxonMobil. As empresas europeias que mantiveram ativos na Venezuela, como Eni e Repsol, também estariam bem-posicionadas para capitalizar a melhora do acesso aos recursos, junto com provedores globais de serviços para campos petrolíferos, como SLB e Halliburton.

No entanto, a atratividade da Venezuela para grandes investimentos dependeria de mudanças significativas em sua governança e de uma melhora sustentada na situação de segurança do país e na confiança na inviolabilidade dos contratos. Serão necessários grandes investimentos apenas para manter a capacidade de produção atual do país, com investimentos enormes e muitos anos para elevar a produção de petróleo aos patamares anteriores. Portanto, qualquer benefício para as empresas de petróleo e gás provavelmente ocorrerá no longo prazo e dependerá do tamanho e do momento desses investimentos. Um aumento material da produção venezuelana provavelmente limitaria futuras altas dos preços do petróleo ou até pressionaria os preços, dependendo de como as fontes globais de oferta se ajustarem no longo prazo.

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