
Publicado às 19h
O mercado financeiro brasileiro projeta um horizonte de transformações significativas para 2026. Entre as perspectivas de novos cortes na taxa Selic e o debate sobre a reforma do Imposto de Renda, o cenário para a renda variável ganha novos contornos. De acordo com o economista Charles Mendlowicz, fundador do canal Economista Sincero e sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, o ano de 2026 tem potencial para ser um período de colheita para quem souber diversificar o patrimônio e investir em ativos de setores de valor.
De acordo com o economista, a grande força motriz para as ações no curto e médio prazo é o comportamento dos juros. Com o Boletim Focus, divulgado no último dia 15, sinalizando uma Selic de 12,13% no final de 2026, o mercado antecipa um movimento de migração de capital.
“Quando a Selic cai, o investidor naturalmente começa a tomar mais risco em ações, fundos imobiliários e criptomoedas para manter a rentabilidade”, explica Mendlowicz. Para ele, o investidor que aguarda as notícias otimistas no noticiário para entrar na Bolsa costuma chegar atrasado. “A oportunidade reside em se posicionar enquanto os vencimentos da renda fixa ainda estão ocorrendo”, orienta o Economista Sincero.
A “corrida dos dividendos” e a reforma tributária
Outro fator que tem impulsionado os proventos é a iminente reforma do Imposto de Renda. Segundo Charles Mendlowicz, muitas empresas estão acelerando o repasse de caixa aos acionistas como uma medida preventiva à tributação de lucros. Setores como o agronegócio e o bancário têm se destacado nesse movimento.
“Estamos vendo uma explosão de anúncios. Algumas empresas que historicamente pagavam pouco surpreenderam com retornos de dois dígitos no último ano”, conta o economista, reforçando que o mercado de capitais está vivendo um momento de forte distribuição. Confira aqui 45 companhias que anunciaram provento só nesta semana. [1]
Setores estratégicos para 2026
Sem citar ativos específicos, Mendlowicz delineia os setores que devem compor uma carteira resiliente para 2026.
Bancos digitais e crédito: “Empresas que focam em eficiência tecnológica e aprendem a rentabilizar a base de clientes através do crédito tendem a performar bem, especialmente se utilizarem inteligência artificial para controle de inadimplência”, avalia o Economista Sincero.
Commodities (energia e mineração): para Mendlowicz, “Setores vitais para a economia global continuam sendo pilares de dividendos, embora dependam da volatilidade dos preços internacionais do petróleo e do minério de ferro”.
Saneamento e utilidade pública: vistas como ações de previdência pelo sócio da Ticker Wealth, os papéis desses segmentos oferecem previsibilidade por tratarem de serviços essenciais, como água e esgoto, que acompanham a inflação.
Consumo e ciclo interno: “Com juros menores, empresas sensíveis ao crédito, como as de aluguel de veículos e gestão de frotas, podem ver sua receita líquida subir, embora exijam maior atenção do investidor devido ao endividamento elevado”, acredita Charles Mendlowicz.
Apesar do otimismo, o economista alerta para a volatilidade elevada decorrente do ano eleitoral e recomenda foco no longo prazo. Ele defende a estratégia do Portfólio 3X, que divide o patrimônio entre terra (imóveis), negócios (ações) e reserva de liquidez.
“Não dá para depender apenas da previdência pública. O investidor precisa criar sua própria garantia de futuro”, pontua Charles Mendlowicz. A diversificação, segundo ele, permite montar uma carteira robusta com aportes acessíveis, diluindo os riscos de setores específicos enquanto se aproveita o ciclo de alta da Bolsa.
Importante:
O Finance News não faz recomendação de compra ou venda de ativos. O texto acima tem por objetivo informar.
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