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Apesar da desaceleração econômica, empresas brasileiras mantêm qualidade de crédito até 2026

 

 

 

 

 

Publicado às 14h49

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A Moody’s afirma que a qualidade dos perfis de crédito das empresas brasileiras não financeiras e dos grupos de infraestrutura continuará estável até 2026, apesar da expectativa de desaceleração do crescimento econômico. A análise destaca que os produtores de commodities — responsáveis por cerca de três quartos da dívida nominal do país — serão os mais impactados pela desaceleração.

Embora as expectativas de inflação para 2026 tenham recuado, a queda das taxas de juros indica uma desaceleração do crescimento geral. As tensões comerciais entre os Estados Unidos e outros países devem ter impacto direto limitado na qualidade do crédito corporativo brasileiro, que mantém o rating soberano em Ba1 estável.

Empresas voltadas ao mercado interno devem apresentar ganhos mais consistentes de Ebitda em comparação às exportadoras de commodities. Com o PIB projetado para desacelerar de 3,4% em 2024 para cerca de 2,0% em 2025 e 2026, o Ebitda das companhias com foco doméstico deve crescer 4,0%, enquanto o dos produtores de commodities aumentará apenas 1,0%. As despesas com juros ainda elevadas continuarão a pressionar o lucro líquido e a geração de caixa. Empresas com maior exposição à dívida de curto prazo buscarão gerenciar seus passivos antes das eleições presidenciais de outubro de 2026.

Os preços das commodities devem permanecer fracos no período, especialmente devido à demanda reduzida por metais básicos na China. Ainda assim, a Vale (Baa2 estável) deve registrar crescimento de Ebitda em 2025-2026, impulsionado por aumento de volumes e controle de custos. Já siderúrgicas e produtores químicos continuarão enfrentando pressão por excesso de oferta. Os preços moderados dos grãos seguem favorecendo as métricas de crédito da JBS (Baa3 estável) e da BRF (Ba2 estável). Apesar da queda nos preços da celulose, os custos competitivos beneficiam a Suzano (Baa3 positiva) e a Eldorado Brasil Celulose (Ba2 em revisão para rebaixamento).

Empresas voltadas ao mercado interno se beneficiam dos salários reais mais altos, embora a confiança do consumidor deva se manter nos níveis de 2024, com maior volatilidade à medida que se aproximam as eleições. A alta nos preços de aluguel e a desaceleração da expansão devem favorecer a geração de caixa das locadoras de veículos Localiza (Ba1 estável) e Movida (Ba3 estável). O MercadoLibre (Ba1 estável) continuará se beneficiando de sua plataforma de e-commerce robusta e de seus serviços financeiros.

No setor de infraestrutura, o aumento da transparência regulatória e da escolha do consumidor deve beneficiar as empresas, embora o apetite por risco dos investidores permaneça moderado. A demanda por maior capacidade de transmissão elétrica será impulsionada por novas restrições e projetos eólicos e solares. As parcerias público-privadas (PPPs) devem investir cerca de R$ 364 bilhões (US$67 bilhões) em projetos federais e estaduais entre 2025 e 2029.

Acesse aqui [4] a íntegra do relatório.