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Investimentos mais populares entre os brasileiros: Cripto chega no top 5

 

Em apenas meia década, o mapa de investimentos do Brasil mudou de forma visível. A caderneta de poupança ainda reina absoluta, mas perde terreno para alternativas mais rentáveis. Imóveis seguem no pódio como reserva de valor, enquanto a velha prática de guardar o dinheiro no colchão resiste.

Isso é um reflexo da desconfiança crônica de parte da população no sistema financeiro. Mas a novidade de 2025 é que, segundo a 1ª Pesquisa Nacional das Criptomoedas (Datafolha/Paradigma Education), os criptoativos já figuram entre as cinco aplicações favoritas dos brasileiros, superando ações e até moedas estrangeiras.

Visão geral dos investimentos no Brasil em 2025

O “Raio X do Investidor Brasileiro” da ANBIMA, elaborado anualmente com o Datafolha, mostra que 37% da população adulta possui alguma aplicação financeira, porcentual estável desde 2023. Dentro disso, a preferência segue concentrada, mas vem se diversificando.

A poupança ainda está mantendo a liderança, com 23% dos entrevistados dizendo aplicar ou planejam aplicar nela. Já os imóveis têm 14% considerando compra e venda de propriedades como seu principal investimento. A renda fixa privada (CDB, LCI, LCA) está em 6%.

O famoso dinheiro em casa tem o mesmo índice desde 2022, 3%, atrás das criptomoedas, que, quase empatadas com fundos de investimento, ficou com 4%. As ações também aparecem, mas com apenas 2% dos entrevistados relatando essa opção.

Esses percentuais parecem modestos à primeira vista, mas representam cerca de 59 milhões de pessoas investindo (ou dispostas a investir) e ajudam a explicar por que o Brasil figura entre os maiores mercados de poupança do mundo, com R$5 trilhões depositados em 649 milhões de contas no fim de 2024.

Cripto e ações trocam de posição: Quem são os novos investidores

O dado mais chamativo vem justamente da pesquisa setorial sobre cripto, pois 16% dos brasileiros, algo em torno de 25 milhões de pessoas, já compraram ou mantêm moedas digitais, número 2,5 vezes maior que o contingente de investidores em ações. O Bitcoin, sozinho, é reconhecido por 54% da população.

Percentual superior ao de outros termos de finanças como ESG ou até mesmo ao conhecimento do próprio tipo sanguíneo. Mas o mercado não se limita a ele. Na verdade, a diversificação é uma marca cripto, com o lançamento de criptomoedas [1] trazendo novidades e soluções a problemas reais, atraindo investidores de todo o tipo.

Mas esse salto também se refletiu na Bolsa. Em 2024, a B3 encerrou o ano com 5,3 milhões de CPFs ativos em renda variável e 3 milhões no Tesouro Direto, mas o crescimento no mercado de “equities” desacelerou para 6%, bem abaixo da variação observada em corretoras de cripto, onde a base dobrou em pouco mais de dois anos.

O retrato etário confirma a digitalização do portfólio brasileiro. A geração Z (16–28 anos) já responde por mais da metade dos acessos a conteúdos financeiros via YouTube (57%) e Instagram (49%). Entre eles, as criptomoedas aparecem como porta de entrada, já que uma parcela considera muito provável comprar Bitcoin ou outro token nos próximos 24 meses.

Regionalmente, o Sudeste concentra volume absoluto, mas o Norte e o Nordeste registram as maiores taxas de crescimento relativo em novos investidores, impulsionados por contas digitais de baixo custo e campanhas de educação financeira. Na B3, por exemplo, o número de mulheres do Norte cadastradas em renda fixa cresceu 12% em 2024, contra 7% na média do país.

A nova geração de produtos digitais

Além de comprar e esperar valorização, o investidor de 2025 encontra operações de staking, pools de renda fixa programável e, principalmente, tokenização de ativos do mundo real [2]. Em abril, a fintech Liqi firmou com a XDC Network um acordo de até 500 milhões de dólares, para emitir tokens lastreados em crédito privado, recebíveis e imóveis.

Essa é uma das maiores iniciativas institucionais da América Latina. E isso empurra o uso de blockchain para além do varejo especulativo, bancos médios já testam Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) inteiramente tokenizados, enquanto gestoras de patrimônio oferecem cotas fracionárias de debêntures em contratos inteligentes.

Para pequenas e médias empresas, a tokenização é uma alternativa de captação mais barata que o crédito bancário tradicional. Um projeto de usina solar no Ceará levantou R$600 mil ao fracionar a receita futura em 29.986 tokens, por exemplo, pagando dividendos de 2% ao mês, custo total inferior a empréstimos que cobram juros de 4% ao mês.

Além disso, os ETFs de Bitcoin listados na B3 bateram recorde de volume em abril, fato que reforça a institucionalização da classe de ativos. Porém, enquanto o mercado privado inova, o Banco Central acelera o Drex, nome oficial do Real Digital. Desde setembro de 2024, mais de 40 casos de uso [3] foram apresentados para a segunda fase do piloto.

São 13 os primeiros que serão testados, abrangendo câmbio instantâneo, crédito colateralizado e registro de debêntures em blockchain. O presidente Roberto Campos Neto afirma que o objetivo não é substituir o real, mas baixar custo de crédito e ampliar acesso a serviços financeiros por meio de regulação e registro distribuído.

A expectativa oficial continua sendo liberar o Drex para o público entre o fim de 2025 e o início de 2026, estabelecendo a integração entre finanças tradicionais e ativos digitais.