Exame Research avalia: Lojas Americanas, Magalu, Vale, Gerdau, CCR e JBS

1 de setembro de 2020 Por Redação

Bruno Lima, Head de renda variável da Exame Research

 

O Finance News conversou com Bruno Lima, Head de renda variável da Exame Research. O analista explicou a tese de investimento em papéis que estão no radar dos investidores: Lojas Americanas, Magalu, Vale, Gerdau, CCR e JBS. 

Bruno Lima foi gestor e trabalhou tanto em fundos multimercados quanto de ações. Com mais de dez anos de experiência em renda variável, passou por bancos e gestoras de recursos independentes. 

 

Magazine Luiza

Com relação ao Magazine Luiza (MGLU3), o analista chama a atenção para o que considera o “universo” desenvolvido pela companhia para prestar serviço para fornecedores, clientes e os sellers, que são os vendedores que fazem uso do marketplace do Magazine Luiza.

Bruno destacou que a  velocidade com que a empresa tem feito isso é ainda mais impressionante. “O pessoal não enxerga  talvez, até porque é difícil trazer isso para valor no curto prazo, se a gente pegar as últimas três aquisições que ela fez, a capacidade de gerar valor para todos os stakeholders, é impressionante e com isso tem agregando valor cada vez mais ao longo do tempo à sua marca. Neste ponto de prestação de serviço mais consolidação de mercado,  entendemos que a Magazine Luiza está bem posicionada”. 

Sobre o valuation (valor justo) o especialista pondera: “ninguém vai acertar. Tem que ter muita humildade ao dizer isso”.  No entanto, salienta que uma direção está dada e que o Magalu está entregando “um absurdo de execução” e fazendo os movimentos que “parecem corretos para manter uma excelência na prestação de serviços”. 

CCR

Bruno ressalta que a CCR (CCRO3) sofreu muito com a pandemia, mas tem se recuperado ao longo do tempo. Ele chama a atenção para a taxa de retorno do ativo: “quando você está comprando um ativo como CCR você está comprando uma taxa de retorno, em uma conta muito conservadora, próximo a 8% ao ano real, já descontada a inflação”. 

Outro aspecto que o analista menciona é a possibilidade de o governo federal abrir oportunidades de concessões em aeroportos e rodovias nos próximos anos, o que pode beneficiar a CCR.“É um dos poucos grupos que têm capacidade de caixa para conseguir se apropriar das oportunidades que essa agenda positiva deve oferecer ao longo dos próximos dois, três anos”.

Gerdau 

Sobre a Gerdau (GGBR4) Bruno salienta que a companhia tem boa parte dos negócios no exterior. Dessa forma a tese de investimento estava ancorada nesse ponto: Estados Unidos se recuperando primeiro dos efeitos da pandemia. 

No entanto, ele ressalta que houve uma surpresa positiva com o mercado doméstico brasileiro, que piorou, porém menos do que o esperado. O setor de construção voltou a aquecer em maio, mantendo elevação nos meses seguintes com os lançamentos de imóveis e a retomada da alta nos preços dos insumos. 

“Em função dessa demanda do setor construção civil, A Gerdau já começou a trabalhar o ajuste de preço, o que também não estava contemplado no modelo de ninguém, por isso conseguimos vislumbrar agora, nesses próximos seis meses, um ano, o mercado doméstico forte, capitaneado pelo setor de construção civil, e o mercado americano, que segue saudável”. 

Segundo o analista da Exame Research, a siderúrgica fez um trabalho considerado excelente na parte de redução de custo. A empresa conseguiu gerar caixa no segundo trimestre e o trabalho de alocação de capital foi “perfeito”.  “Enxergamos a Gerdau hoje muito próxima do que foi a média histórica,  a velocidade de geração de caixa da companhia conforme a retomada desses dois mercados está acontecendo (EUA e Brasil), ela tem surpreendido o mercado. Por isso entendemos que é um ativo que deve ter um médio prazo bem positivo”. 

Lojas Americanas 

Sobre a Lojas Americanas (LAME4) Bruno explicou que considera o papel subavaliado pelo mercado. A Lojas Americanas controla, com aproximadamente 60% de participação, a B2W (BTOW3).

“Se a gente expurgar na nossa conta de valor justo a parte de B2W, que é conhecida, está no mercado, o valor dos ativos da loja física, do varejo físico, na nossa opinião, está muito subavaliado perante o próprio setor de varejo físico e também perante o próprio histórico de múltiplo da própria ação das lojas americanas”.

Vale

Sobre a mineradora Vale (VALE3), o destaque é a geração do volume de caixa e a volta do pagamento de proventos.

“Já está dado o retorno da agenda de pagamento de dividendos, que é super importante principalmente para o investidor estrangeiro voltar a ter um apetite mais significativo pelo ativo”, avalia Bruno. 

O analista enfatiza que,  após os desastres de Brumadinho e Mariana, a mineradora passou por um choque de governança.  “Volta a ter uma agenda de crescimento, de confiança de crescimento de oferta e retomada de projetos com mais tranquilidade. Acreditamos que todas as provisões que deveriam ter sido feitas com relação às questões socioambientais foram feitas e agora vira uma agenda de crescimento e uma agenda de pagamento de dividendo, que tinha sido suspensa justamente em detrimento da agenda de governança”, explicou.

Com relação ao minério de ferro, principal produto da Vale, a tese defendida é que os incentivos de crédito na China surtiram efeito e impactaram positivamente o setor siderúrgico do gigante asiático, que está indo bem melhor do que no resto do mundo: “ Em vias gerais, percebemos o setor  siderúrgico chinês crescendo em torno de 9% esse ano, enquanto que no mundo uma queda em torno de 3 a 4%”.

Em termos de múltiplos, o analista conclui que segue um ativo “barato” apesar de toda a valorização que apresentou nos últimos meses.  “Comparando a Vale hoje com suas principais concorrentes internacionais, como Rio Tinto, BHP, o papel negocia com desconto próximo a 30% em relação a essas outras companhias. A gente acha que retomando essa agenda de crescimento, de oferta de minério, como falei, agenda de dividendos, esse desconto deveria fechar ao longo do tempo”.

JBS

Com relação à JBS (JBSS3), Bruno afirma que é uma tese de geração de valor levando em consideração o aumento da exposição ao mercado chinês e ao fato de que a companhia é uma plataforma mundial de proteína animal.“Quem consegue com produtividade oferecer uma quantidade de proteína que satisfaça o apetite do consumidor chinês?”, questiona.

A avaliação é que a China, devido ao aumento da renda de sua população, tem migrado para proteínas consideradas premium pelo mercado chinês, como a carne bovina. Soma-se a isso o déficit de proteína animal provocado pela gripe suína (uma enorme quantidade de rebanho teve que ser sacrificado  na China).

“Dado o tamanho da plataforma da JBS no mundo, tão diversificada, na nossa conta o ativo está negociando muito próximo, em termos de múltiplos, ao menor nível de múltiplo histórico, sendo que a empresa quadruplicou de tamanho, aumentou a eficiência”. 

Ele observa que as discussões  sobre a governança da companhia, já foram superadas.  “Isso afetou muito a companhia no passado recente. Eles profissionalizaram mais o corpo de executivos. Implantaram vários processos de compliance. O mercado ainda tem um pouco de ceticismo e isso acaba explicando uma grande parte desse desconto que ação apresenta”.

 

 

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