‘Ancoragem’ nos investimentos e seus efeitos no seu bolso

6 de outubro de 2018 Por Redação

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Imagine a seguinte situação: no churrasco de domingo seu cunhado começa a falar que comprou ações de uma empresa que, há cinco anos, quando ele entrou na Bolsa de Valores, valiam 40 reais. Hoje essa empresa vale 10. Então, seu cunhando diz: só vou vender quando chegar a 40 de novo. A pergunta é: está seu cunhado com a razão?

O que sabemos, de fato, é que ninguém com o mínimo de honestidade pode prever o futuro com 100% de certeza. Quem pensa como o fictício personagem acima tem grandes chances de estar sob o efeito daquilo que teóricos das Finanças Comportamentais convencionaram chamar de fenômeno da Ancoragem.

Ocorre que, segundo esses estudiosos, nós temos a tendência de guardar o primeiro valor com que temos contato como uma referência, uma âncora. Nossa mente precisa de um ponto de referência para basear suas estimativas e julgamentos.

 

Efeitos da ancoragem nos investimentos

As consequências da ancoragem nos investimentos podem ser danosas. Voltamos ao exemplo do começo desse texto. Nosso personagem acredita, sem qualquer base de estudo, que o ativo vai voltar aos 40 reais. Ele definiu mentalmente uma faixa de preço com um “valor justo”. Mas a empresa pode estar, por exemplo, fortemente endividada e mal administrada e em um setor cujas vendas possam se manter baixas por vários trimestres. Nesse sentido, o que garante que vai sair dos 10 reais e voltar para 40 no médio prazo?

Há inúmeros casos de empresas em nossa Bolsa de Valores que nunca mais retornaram às suas máximas históricas.

 

Como driblar o fenômeno da Ancoragem

Para que o fenômeno da Ancoragem não leve o investidor a tomar decisões equivocadas, é importante ficar atento a algumas estratégias.

Uma delas é se perguntar: por qual motivo estou tomando um determinado valor como referência? Tente responder se existe motivo com base em análise de gráfico ou com base em análise de fundamentos. Se a resposta for ‘estou tomando esse valor como referência porque ocorreu no passado’, desconfie.

Outra estratégia é conhecer um pouco sobre a empresa na qual você está investindo. Verifique a opinião de diferentes analistas certificados sobre a ação que você quer comprar.

É importante também verificar o cenário macroeconômico e se questionar: a empresa valia mais no passado porque o cenário era favorável? Como será o futuro ambiente de negócios para a companhia?

Especialistas recomendam também evitar tomar decisões financeiras por impulso. Será que vale a pena entrar quando a Bolsa de Valores está subindo forte? Não seria melhor esperar uma correção nos preços?

Se questionar antes de qualquer decisão e responder com fundamento as questões acima é uma arma eficaz para evitar que o viés da Ancoragem naufrague seis investimentos.

 

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