Como conseguir investimento para minha startup?

7 de agosto de 2017 Por Redação

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O Finance News apresenta uma série de reportagens sobre startpus. Esse segundo artigo é para aqueles que querem saber um pouco mais sobre onde conseguir investimentos.

 

Como conseguir investimento para minha startup?

Se você empreende sabe muito bem que mais cedo ou mais tarde vai se deparar com o questionamento do título dessa reportagem. É, meu amigo, com capital limitado e sem outras fontes de recursos o jeito é procurar ajuda profissional.  Ela está por aí e atende por nomes um pouco esquisitos para quem não está acostumado aos jargões desse mercado: investidor anjo, venture capital, private equity e equity crowdfunding.

Mas antes de procurar um investidor, a Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCAP) recomenda que você se faça duas perguntas: tenho ambição de promover um crescimento elevado na minha empresa? Estou disposto a vender uma parte da minha empresa para um investidor, tornando-o sócio do meu negócio? Se a resposta for positiva, vamos em frente.

 

O que é um investidor anjo?

O Sebrae tem um definição bem clara: são pessoas físicas, geralmente empresários ou executivos de empresas consolidadas, ou aceleradoras (empresas de capital empreendedor que investem em diversos negócios de estágio muito inicial).

O investidor anjo se foca em empreendimentos que estão na fase de desenvolvimento de produtos e de validação do modelo de negócio, geralmente ainda gerando pouca ou nenhuma receita.

Os recursos ficam na faixa de R$ 50 mil a R$ 500 mil. O investimento serve para finalizar o desenvolvimento de produto, financiar a equipe de fundadores, conquistar os primeiros clientes e custear a entrada no mercado.

 

O que é venture capital?

Venture Capital em tradução livre significa ‘Capital de Risco’, mas no contexto do setor pode ser definido como Capital Empreendedor. É focado em negócios que estão na etapa de consolidação, ou seja, em empresas que já possuem um modelo de negócio validado.

O Sebrae define que o Venture Capital é direcionado a companhias com receita recorrente e em um patamar mais elevado (geralmente a partir de R$ 1 milhão/ano)  e precisam alocar recursos na expansão do negócio.

Os recursos investidos nesse estágio ficam na faixa de R$ 5 milhões a R$ 30 milhões e são utilizados para expansão geográfica, ou da linha de produtos, abertura de novos mercados e aquisição de empresas concorrentes.

O investimento em venture capital pode ser realizado por companhias de participações, gestores, através de fundos de investimentos estruturados para esta finalidade ou, ainda, por investidores individuais que disponham de capital para investir nesta atividade. Seus principais investidores são institucionais, em especial, os fundos de pensão e seguradoras.

 

O que é private equity ?

São fundos que rentabilizam seu capital por meio do investimento em companhias com bom potencial de crescimento.

O alvo dos fundos private equity são negócios maduros, que já têm uma operação robusta e lucrativa, mas precisam de recursos para entrar em uma nova fase de crescimento.

Os recursos investidos neste estágio estão acima de R$ 30 milhões e são empregados na aquisição de empresas, expansão internacional e preparo para abertura de capital.

A ABVCAP afirma que o venture capital está relacionado a empreendimentos com receita mas ainda em fase inicial, já o private equity está ligado a empresas mais maduras, em fase de reestruturação, consolidação e/ou expansão de seus negócios.

 

O que é equity crowdfunding?

O investimento coletivo, ou equity crowdfunding, é um forma de captar recursos de vários pequenos investidores por meio da internet. Essa captação é feita em plataformas online especializadas.

O investidor recebe uma participação acionária ou um título de dívida, que pode ser conversível em ações da empresa apoiada.

A ideia vem crescendo em outros países e, no Brasil, ganha força com plataformas como a EuSocio e a Broota, entre outras.

O principal objetivo delas é ser um ponto de encontro entre empreendedores que estão buscando investimentos e quem quer investir. Porém, esse tipo de investidor tem consciência dos riscos, já que as startups nem sempre dão certo.

No site da EuSocio há o alerta: “investir em start-ups e em empresas em fase inicial envolve riscos, incluindo falta de liquidez, falta de dividendos, diluição e perda de investimento, e isso deve ser feito apenas como parte de um portifolio diversificado. EuSocio é direcionado exclusivamente a investidores informados desses riscos e capazes de tomar suas próprias decisões de investimento”.

Para participar da EuSócio, por exemplo, a empresa deve ser formalmente constituída no Brasil e ter faturamento bruto anual de uma micro ou pequena empresa. Além disso, tem de apresentar o modelo de negócio por meio de um pitch. Na linguagem do setor, essa palavra significa uma ferramenta adequada para comunicar sua visão, explicar seu modelo de negócio e demostrar a credibilidade e potencial da sua equipe.

A empresa afirma que não há taxas de adesão iniciais nem taxas de listagem e o empreendedor paga apenas quando alcançar a meta de investimento.

Já na Broota, o modelo de investimento é um pouco diferente. O investidor precisa ser qualificado, o que, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), significa ter mais de R$ 300 mil em ativos financeiros. A plataforma utiliza o Título de Dívida Conversível, instrumento muito parecido com uma debênture conversível, que coloca o investidor em um primeiro momento como credor de uma dívida, mas lhe dá a opção de converter essa dívida em participação da empresa investida, em situações previamente acordadas entre as partes.

O site da Broota afirma que “dívida conversível é um dos veículos mais utilizados por investidores-anjos, aceleradoras e fundos de capital semente para investirem em negócios embrionários. A ideia do Título de Dívida Conversível não é de resgate da dívida mas sim que o investidor a converta em equity no momento de sua maturidade, estipulada previamente pela emissora, tornando-se sócio minoritário do negócio”.

O financiamento coletivo busca complementar as outras formas de investimento, como o direto e o de investidores anjo ou fundos como o da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Especialistas ressaltam ainda outras vantagens. Uma delas é que o equity crowdfunding ajuda os empreendedores que estão longe dos grandes centros urbanos, já que o processo é 100% online. Outro benefício é que o empreendedor se apresenta para uma base de pessoas distribuídas nacionalmente a quem não teria acesso de outra forma.

A CVM informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o equity crowdfunding ainda está em estudo na Comissão e que não há previsão para a criação de uma regulamentação específica.

Nos Estados Unidos, a lei Jobs Act criou o arcabouço regulatório para o equity crowdfunding em 2012, gerando uma expansão vertiginosa da modalidade no país.

 

Em qual estágio sua startup está?

 

Em um empréstimo financeiro, uma empresa capta recursos que serão devolvidos ao longo do tempo com juros. Com os juros altos, o maior risco é você, em um contexto de queda de receita, ficar inadimplente.

No caso do capital empreendedor, o investidor irá aportar os recursos na empresa em troca de uma participação societária, com objetivo de vender essa participação após alguns anos por um valor superior ao que ele pagou.

Investidores de risco podem entrar em diversas etapas de desenvolvimento de um negócio. Para cada estágio, existe um tipo de investidor com critérios de seleção e objetivos distintos.

Por isso, antes de sair por aí em busca de um sócio, avalie em qual estágio está sua empresa:

– ainda é uma statup com pouca ou nenhuma receita;

– já está em fase de crescimento;

– é uma empresa em consolidação;

– é companhia madura.

O momento que antecede a visita a um potencial investidor deve ser marcado por alguns cuidados. No próximo artigo vamos falar como deve ser essa preparação.

 

 

Veja as reportagens dessa série:

-Startups: o que você precisa saber sobre esse setor

Como conseguir investimento para minha startup?

Startups: a busca por investidores